segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ambiguidades

    Estou parada no tempo sem saber. Ou se calhar até sei mas não me importo. A vida tem esta ambiguidade extraordinária e espetacularmente avassaladora. Eu tenho esta ambiguidade dentro do meu ser. Quererá isto dizer que eu sou a vida que me rodeia? Ou será que estou apenas tão entranhada na própria vida que sem me aperceber vou adquirindo as suas características peculiares? Independentemente das respostas a estas intrigantes perguntas, sinto que não me movo no tempo e no espaço que me rodeia. É como se estivesse a observar uma realidade sem que a possa alterar e, sabendo disso, limito-me a ficar estática enquanto tudo se enrola e desenrola no mundo. Não consigo perceber se estou a viver ou apenas a assistir a um grande e confuso filme, sendo este (claramente) um cocktail de drama, comédia, romance, thriller, ação, enfim... Quero acreditar que estou de facto a viver mas a verdade é que não me sinto viva. A verdade é que tenho que ser completamente honesta comigo mesma, pelo menos comigo, e assim sendo admito que apenas me sinto realmente viva quando estou perante perigo eminente. Não quero com isto dizer que só quando estou à beira da morte é que me sinto viva, claro que não. Não é esse tipo de perigo. É aquele perigo relacionado com outras pessoas e com sentimentos, é o tipo de perigo que te arrasa completamente quer tu ganhes ou percas. É o tipo de perigo que qualquer ser humano minimamente são se afasta o mais rapidamente possível, porque é o tipo de perigo que requer uma coragem fora do comum com um gosto de loucura. Ou então basta seres incrivelmente louco, estupido e ingénuo. [Desisti de saber qual dos dois sou ou sequer se sou algum dos dois, porque sou incrivelmente estupida e louca e corajosa, mas não sou ingénua...]
    O problema é que este perigo tem mais do que uma face, mais do que um nome... Ou então tem apenas um e sou eu que já ando tão enterrada em mim e no que penso e sinto e no que penso que sinto que já acho que há mais do que "só" ele a fazer-me sentir assim. Tudo isto é tão errado mas faz-me sentir tão bem... Talvez bem não seja a palavra certa, mas faz-me sentir de uma maneira que eu sentia falta de sentir decididamente. De cada vez que o sinto, mesmo que seja apenas na minha imaginação, sinto-me tão viva, tão autêntica, tão eu que acabo por me deixar ir e quando dou por mim o tempo passou e permaneci no mesmo local de sempre. Racionalmente tudo isto é tão absurdo. É como se precisasse de morrer para me sentir viva, e de facto talvez seja exatamente isso. Racionalmente estou apenas a ser uma menina mimada a fazer uma birra enorme porque quer aquele e  aquele boneco específico, como se só esse fosse perfeitamente imperfeito e, por isso, capaz de me preencher. Mas ele não é um boneco e isto não é racional. Porque racionalmente tudo é possível, toda uma vida é possível sem emoções extremas... No entanto, a vida não é apenas "racionalmente", muito menos a minha. Eu preciso de emoções extremas que abalem o meu ser para que consiga sentir-me mais do que um robot ou um zombie. Para ser sincera sou completamente viciada nessas emoções, mesmo completamente! Tenho esta necessidade absurda de sentir tudo com todas as forças, com todas as células do meu corpo, porque se assim não o for não sou nada. Não sinto nada. Porque eu sou este ser estranho que é tudo ou nada, que não sabe sentir em doses homeopáticas e depois o que ganho? Olhares de pena por parte de pessoas que nunca me irão perceber, que nem sequer me conhecem; sermões de pessoas que se preocupam comigo; insónias, etc... Mas percebam EU SOU MESMO ASSIM! Eu não consigo e não quero deixar de ser assim!
    Eu preciso de me sentir realmente viva. Preciso de fazer determinadas coisas por muito erradas que sejam porque simplesmente é o que me faz sentir que estou realmente a viver a minha vida. Eu sei que é errado, que me vou magoar e que não posso (ou não devo) mas é disso que eu preciso, porque só me sinto viva quando tenho aquele formigueiro na barriga. Talvez o meu problema seja exatamente esta necessidade de correr e lutar pelo impossível, de lutar por amores impossíveis só porque considero que tenho esse direito.


MC

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Há pessoas e pessoas


    Há pessoas e pessoas. Há pessoas que são pessoas, há pessoas que conseguem ser mais que pessoas e depois claro também há o outro extremo, pessoas que não são pessoas, são seres racionais apenas. Mesmo  dentro das pessoas que são pessoas há vários tipos de pessoas, por exemplo, pessoas que são apenas pessoas pequenas. Ora vejamos este caso em concreto. Afinal o que são pessoas pequenas? Pessoas pequenas são pessoas pequenas, não há uma grande definição para algo que é pequeno e inconveniente. Mas claro, devido à condição humana que todos temos (a menos que sejamos algum tipo de ser racional que não o que aparentemente somos), temos que ter um definição para tudo e, logicamente, temos que ter uma definição concreta do que é uma pessoa pequena. Definitivamente não vou definir este conceito, considero que cada um tem cabeça própria para conseguir definir este mítico conceito e considero que se definisse aqui aquilo que considero uma pessoa pequena de certa forma iria estar a impor uma definição de algo que acho subjetivo e estaria a influenciar aquilo em que acreditam, o que não é de todo o meu objetivo em relação a este tema. (Vamos, por favor, saltar esta parte e começar com o que interessa).
    Pessoas pequenas atravessam diariamente a nossa vida. É algo que não pode ser evitado, acontece naturalmente e acontece com um propósito, ainda que este nos seja desconhecido. Algumas destas pessoas apenas aparecem, vindas de parte incerta, e simplesmente desaparecem, são estas, por exemplo, aqueles colegas de turma ou colegas de trabalho. Pessoas que, por convivermos diariamente com elas, sabemos que são pessoas pequenas mas que por não passarem de meros colegas não nos afetam diretamente, não nos fazem pensar. O problema não é este tipo de pessoas pequenas, o problema (a meu ver) são aquelas que se fazem de nossos amigos e que por algum motivo nós deixamos entrar na nossa vida. Penso que independentemente desse motivo também as deixamos entrar porque temos esperança na humanidade, porque acreditamos que podem não ser apenas pessoas pequenas, porque temos medo de estar sós, porque somos ingénuos, enfim todo um leque de sentimentos e pensamentos inerente à nossa condição e que nos fazem vacilar e deixá-las entrar... Não considero que seja um problema grave deixámo-las ser nossas "amigas", quer dizer talvez seja... Porque este tipo de pessoas não se preocupa com mais ninguém sem ser com elas mesmas. Claro que se apaixonam e supostamente se preocupam com os outros, no entanto continuam a ser um problema.
    Duas pessoas pequenas apaixonarem-se uma pela outra só é grave se tiverem filhos, uma vez que a probabilidade de estes rebentos serem também eles pessoas pequenas é elevada, mas há sempre aquele 1% de hipótese de não o serem, pelo que penso que o problema maior é quando uma pessoa pequena se apaixona por uma pessoa que é mais que uma pessoa (estes casos, obviamente, são bastante abundantes, afinal uma pessoa que é mais que uma pessoa é extremamente fascinante). Ok não levem isto a mal a sério! É claro que estas pessoas têm o direito de se apaixonar por quem bem lhes der na gana, acho que formulei erradamente o que queria transmitir. O problema é quando temos a pessoa A (uma pessoa pequena), uma pessoa B (pessoa extremamente fascinante) e uma outra pessoa (pessoa C), que pode ou não existir, e a pessoa A está tão obcecada com a pessoa B que tenta a todo o custo estar com ela, não querendo realmente saber da felicidade da pessoa B. Para além disto, claro que afasta todas as outras pessoas da vida da pessoa B, tenta "fazer a cabeça" à pessoa B para que esta apenas a veja a ela, para que esta sempre que aparece uma outra pessoa ache que não está preparada, que não deve arriscar, que está a tentar apressar coisas, que isto e que aquilo. Resultado a pessoa B (por ser desta forma influenciável, o que eu de todo não consigo perceber) fica sempre com dúvidas e acaba por não deixar alguém que podia ser alguém entrar na sua vida e "volta" para a pessoa A.
    A minha pergunta é porque merda as pessoas não deixam a vida das outras em paz? Porque merda lhes dá prazer estragar algo que não tinha nada a ver com elas? E porque merda as pessoas se deixam influenciar desta forma? Eu sei que todos nós somos influenciáveis a partir de certo ponto, faz parte da condição humana, mas desta maneira? Por favor... Se estás numa relação com outra pessoa e surgem terceiros que de forma exaustiva te tentam influenciar dizendo isto e aquilo da pessoa com que estás, dizendo que não devias estar a fazer isto mas sim aquilo, o que é mais lógico? Dares ouvidos a estas pessoas ou falares com a pessoa com quem estás? Pois... Mas claro que virar costas e desistir é mais fácil. Porque raio se tens problemas não falas com a pessoa? Afastares-te não resolve nada, quando é que percebem isso? Não percebo!!! Não consigo perceber o que há de tão complicado nisto.
    Há pessoas e pessoas e pessoas  que não valem a pena. E cabe-nos a nós estipular que tipo de pessoas queremos na nossa vida. Acho que tudo se resume a isto e é isso que cada um de nós tem que perceber. No final de contas toda a nossa vida é baseada em relações estabelecidas com os outros e nos sentimentos que essas mesma relações nos trazem, por muito que tenhamos sido magoados no passado não podemos deixar que isso afete de uma forma impetuosa as relações que no presente tentamos estabelecer e muito menos devemos deixar que pessoas como a pessoa A entrem na nossa cabeça e estraguem uma relação estabelecida com alguém que nos trazia felicidade.
 
 
Há realmente pessoas pequenas e como não podia deixar de ser tinha que criticar esta sociedade extraordinária pela qual tenho imenso respeito e alguma ... inveja (?!?) Espero que não tenham sentido assim tanto a minha falta. A vossa alienígena,
 
MC

domingo, 18 de outubro de 2015

Perspetiva de uma adolescente

    Ás vezes é preciso ser corajoso ao ponto de enfrentar tudo e todos por aquilo em que acreditamos mas não podemos ser tão lineares assim ou acabamos completamente sozinhos. Temos que saber avaliar se vale ou não a pena irmos a avante com o que temos em mente. Muitas vezes o que nos parece certo no momento não o é de todo. Com os nervos à flor da pele é sempre complicado conseguirmos avaliar de forma correta e sensata o que realmente se passa e qual a atitude que devemos ter. Mas outras vezes se não for a adrenalina do momento mais tarde sabemos que nunca iremos conseguir tomar aquela atitude. É um mundo complicado e estranho este em que vivemos. Se pensarmos demais não conseguimos aproveitar as oportunidades que a vida nos dá e muitas vezes nem felizes conseguimos ser na sua plenitude. Mas se avançarmos sem pensar de todo acabamos, muitas vezes, por fazer pior do que se tivéssemos ficado quietos, magoamos quem menos queríamos magoar, decionamo-nos e acabamos sozinhos trancados num quarto a pensar e a martirizar-nos porque raio tomámos aquela atitude. E tudo isto se torna pior quando somos apenas adolescentes, porque quando somos apenas adolescentes apenas queremos descobrir o mundo e descobrir-nos a nós mesmo, sem pressas. Queremos cometer os nossos erros e não sofrermos mais do que devemos pelo erro cometido, queremos ser livres. Achamos que podemos tudo, que nada nos pára, mas a verdade é bem diferente. A verdade é que por muito que não queiramos continuamos a ser humanos, continuamos a ter fraquezas, não conseguimos lidar com tudo, nem com metade do que nos acontece quanto mais… As pessoas olham para nós de lado, olham para nós com uma pitada de inveja, olham para nós como se fossem muito superiores, como se só por serem mais velhos tivessem o direito de julgar tudo o que fazemos e não fazemos, tudo o que somos e não somos.
    Parem! Também vocês foram adolescentes, adolescentes como nós, adolescente sem noção, adolescentes com sonhos na algibeira. Lembram-se daquela altura em que não tinham medo de nada, não tinham medo de arriscar, de seguir os vossos sonhos? (…) E o que aconteceu depois? Cresceram, tornaram-se amargos e sem alegria naquilo que fazem, apenas fazem o que fazem porque tem que ser e não porque é o querem realmente. Eu percebo, é complicado, é preciso dinheiro para comer, para ter uma casa… Porra! É preciso dinheiro para tudo hoje em dia… e isso é tão triste! Porque aos poucos cada um de nós se vai preocupando com o ter e não com o ser. Olhem à nossa volta. O que vêm? Têm orgulho? Eu não tenho. Somos uma raça que se acha superior a tudo, mas na verdade não passamos de uns arrogantes egocêntricos, que só pensam em ter ter e ter, que não querem saber do ser. Era assim que imaginavam ser quando eram jovens da minha idade? Aposto que não. Mas também aposto que muitos de vocês não tinham sequer uma ideia do que queriam, apenas se preocupavam em viver o presente, apenas queriam aproveitar os concertos, as saídas, as bebedeiras, os amigos, as drogas, o sexo sem compromisso. Mas tudo isso acabou à medida que foram crescendo. As responsabilidades foram-se tornando cada vez mais visíveis e aos poucos vocês tiveram que começar a fazer opções, algumas bem outras mal, caíram muitas vezes… E talvez no meio de tanta coisa se tenham perdido a vocês mesmos. Talvez pelo caminho se tenham esquecido lenta e gradualmente do que cada um de vocês era feito, dos sonhos que tinham. Talvez, mas só talvez, se tivessem oportunidade de voltar atrás no tempo e recuperar tudo o que foram perdendo o fariam sem hesitar. Não para mudar algo, apenas para poder vivenciar todos aqueles momentos em que eram livres. Mas a vida não funciona assim! Têm que seguir em frente, apenas ficam as memórias, as recordações, em alguns casos chegam a ficar mesmo os amigos. Agora pensem, no vosso tempo não havia e pressão dos media que há hoje, não havia nem um terço das tecnologias. Por isso, em parte nenhum de vocês nos consegue perceber a 100% simplesmente porque nenhum de vocês sabe o que é ter que passar pelo doloroso processo que é crescer e aprender a lidar com tudo quando se tem uma pressão completamente absurda em cima dos ombros. Uma pressão que vem das redes sociais, da necessidade de ser popular, de ser noticia. Conseguem imaginar passarem por tudo o que passaram mas com meio universo de olhos postos em vocês à espera que falhassem, nem que fosse uma vírgula, para vos poderem apontar o dedo e gozar com toda a vossa essência? É difícil é verdade, porque mesmo não sendo isso que acontece é assim que cada um de nós sente que acontece, porque somos jovens, somos sonhadores, somos ingénuos o suficiente para acharmos que somos especiais, que somos diferentes e que há meio milhão de pessoas que nos observam quando muitas vezes nem vocês que são nossos pais se apercebem do que se vai passando na nossa vida.

    Pessoalmente, sinto-me completamente perdida, tenho um medo absurdo de errar, de voltar a confiar na pessoa errada e ficar absolutamente devastada. Mas mesmo assim de alguma maneira continuo a acreditar no amor e nas pessoas, continuo a acreditar que há pessoas que valem a pena… Enfim, continuo a eterna sonhadora e ingénua que sempre fui, no entanto sinto que há algo diferente em mim. Houve algo que mudou, não sei bem quando e ainda não descobri bem o porquê e muito menos se foi uma mudança boa ou má. Apenas sei que viver sozinha a trezentos e qualquer coisa quilómetros da minha família e da minha vida antiga me tem feito crescer bastante. Tem sido difícil, às vezes é mesmo insuportável e não faço de todo a mais pequena ideia do que raio ando a fazer à minha vida, mas não trocava esta experiência por nada. Há demasiados bons momentos, demasiadas pessoas extraordinárias, é demasiado espetacular sentir-me completamente livre para me descobrir. E mais do que isso, tomei uma decisão e tenho que arcar com todas as consequências que daí advém. Claro que posso sempre voltar atrás, voltar para a minha antiga vida, mas isso seria desistir e não sou esse tipo de pessoa. Mas voltando ao que interessa… Sou apenas uma adolescente que é louca o suficiente para seguir o seu sonho e deixar tudo para trás, se eu consigo tu consegues. É tudo o que tenho a dizer! Se eu consegui porque não hás de tu de conseguir? Tenta! Não saberás se não tentares. Só tens que ser tu próprio, ter uma pontada de coragem e dois copos bem cheios de loucura e tens o mundo a teus pés. Talvez não o Mundo, mas o teu mundo!

Hey... Já não escrevia há demasiado tempo, não tinha qualquer vontade ou inspiração para ser sincera. E acho que este texto está longe de ser alguma coisa de especial, mas apenas senti necessidade de o escrever. É muito possível ser fragmentado e não fazer um mínimo de sentido, não é por mal tem é só bastante complicado escrever algo coerente quando nem eu me sinto dessa maneira. A vossa alianigena,

MC

sábado, 19 de setembro de 2015

Recomeçar com memória?!

    Sítios novos, pessoas novas, rotinas novas, desafios novos... É tudo novo para mim desde que para aqui vim. É tudo estranho mas sabe bem esse estranho. Sabe bem sair à rua sem medo de o encontrar ou de encontrar alguém ligado a ele. É o sítio perfeito para começar de novo, do zero como se uma nova pessoa tivesse nascido. Para tal "só" preciso de fazer com que ele deixe de me influenciar... "Só"... Será que haverá sempre esta parte de mim que não o deixa morrer em mim? Não há ninguém que me conheça, que me possa julgar, mas infelizmente a minha memória permanece intacta e imagens de alguns episódios surgem na minha mente sem a minha permissão... Às vezes sinto-me a regredir, assim sem mais nem menos, sem razão, apenas sinto. Não consigo não me sentir assim e não percebo o porquê disto tudo.
    Quero voltar atrás no tempo, quero repetir tudo. Ou então não... Quero voltar e mudar tudo, mudar o dia em que cometi o erro de me entregar a ele. Não me consigo decidir o que quero se voltar e repetir, se voltar e apagar... Tornei-me nesta pessoa indecisa, ando perdida em mim à demasiado tempo, mas por mais tempo que passe sinto que não é tempo suficiente, que passarei uma eternidade a tentar encontrar-me e que mesmo assim passaria uma outra eternidade a questionar-me se realmente o tinha feito. Talvez dar tempo ao tempo quem sabe...
    Quero que o fantasma dele desapareça, que me deixe de assombrar relembrando-me que não passo de uma simples e reles pessoa, só mais uma no mundo. Quero paz. Quero não ter este medo absurdo e irracional das pessoas, porque eu sei que há pessoas que merecem que eu lhes dê a oportunidade de fazerem parte da equação, sei que mereço ter pessoas dessas na minha vida. Mas simplesmente não consigo, é demasiado para mim. Quero não ter memória, quero apaixonar-me sem medos de ficar ferida no fim, quero a minha inocência de volta e sei que nunca a terei e no fundo isso mata-me aos poucos por dentro.
    Quero tanto... E tudo o que quero no fundo é o impossível. Porque não posso ter nada disto de volta, não posso simplesmente apagar uma parte muito importante da minha vida só porque é mais fácil viver sem que tenha existido. Tenho que suportar este fardo e no fundo sei que tenho que aceitar que fiz tudo o que estava ao meu alcance para que tudo tivesse sido um conto de fadas. Não fui eu que errei, eu sei disso, eu  sinto isso pela primeira vez em muito tempo... Mas mesmo assim o sentimento de culpa não me abandona... Porquê? Ugghh como odeio esta pergunta. E como ela me adora. Talvez um dia me habitue a viver com ela, talvez não. Talvez ela se farte e me abandone e com ela leve toda a mágoa com ela. Tantos "talvez" e nenhuma certeza... Que posso eu fazer? Fartei-me de estar sentada à espera que algo mude quando quem muda sou eu, aos poucos e poucos vou-me tornando em algo cada vez mais distante do mundo em que todos vivem.
    Agora apenas sou eu... Eu e os meus demónios num quarto às escuras. Nada mais. Não sinto que haja alguém que tenha a coragem suficiente para se atrever a meter-se no meio de nós, que combata a meu lado contra todos os vestígios deixados por quem nunca mereceu o mundo que teve. Não há ninguém com tamanho fascínio que me faça sair deste buraco e espreitar na claridade que rodeia a grande maioria dos seres vivos. Alguém que me faça reunir a coragem necessária para enfrentar o vosso mundo e os meus demónios ao mesmo tempo. Nem mesmo o "meu" Gon... Mas esse é um caso à parte, esse só não consegue de mim o que não quer e sei que ele não quer porque está demasiado introspectivo, demasiado virado para ele próprio, está demasiado eu.
    Quero recomeçar!!! Mas com memória?! Com memória duvido que consiga sequer levantar-me da cama para tentar interagir com esses seres que deambulam  por aí.

MC

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O que queria?

    O que queria? Não sei sinceramente, não faço a mais pequena ideia do que esperava de ti, de mim, de nós... Espera.... Pensando bem, queria mesmo era que alguma vez tivesses posto a hipótese de haver um nós, mesmo que fosse em segredo. Era tudo o que queria, queria que me quisesses também. Seria assim tão impossível tal suceder? Seria assim tão fora do comum apaixonares-te por mim? Responde! E não me venhas agora com tretas que eu sabia bem no que me estava a meter, que eu sabia que tu tinhas o coração congelado, que estavas magoado e que te querias afastar de qualquer contacto com sentimentos. Achas que eu pedi isto? Achas que pedi para termos a enorme cumplicidade que sempre partilhámos? Pensa duas vezes. Conheces-me bem, bem demais até. Sabes melhor do que ninguém pelo que passei e o quanto magoa tudo, porque passaste por uma dor semelhante... Devia ter-me afastado no momento em que percebi que nada disto acabaria bem para o meu lado, mas não queria. Não podia. Estava demasiado viciada em ti para me conseguir afastar. Sempre pensei que seria fácil, que não me custaria saber que andavas a brincar com esta e aquela, que assim que me quisesse afastar estalava os dedos e... MAGIA, afastava-me sem qualquer problema, sem qualquer angústia. Sou tão iludida...
    O que queria? Tudo o que eu queria era que te sentisses bem, que não te culpasses por me magoares, só te queria ver feliz. Por isso, caguei tanto em mim. Nunca o devia ter feito, NUNCA!!! Sou tão burra, sempre fui tão burra... Como é que eu me deixei iludir desta maneira outra vez? Tu magoavas-me de cada vez que eu tinha a confirmação que tinhas estado com a tal miúda, mas por mais magoada que estivesse não conseguia ver-te sofrer por me teres magoado. Levantava a cabeça para te encarar e a única coisa que via era um rapaz a chorar e a dizer que era um cabrão e isto e aquilo, que merecia sofrer a sério... Como é que era suposto eu não esquecer a minha dor e abraçar-te? Como é que era suposto eu deixar que te mandasses daquela maneira baixo? Eu era a tua melhor amiga, por mais apaixonada que estivesse não podia deixar-te ir ao fundo. Não podia, não queria, não suportava sequer a ideia de te abandonar, mesmo que no mais profundo eu só te quisesse virar as costas e deixar-te a sofrer.
    O que queria? Não estar neste estado. E a culpa é toda tua. É toda minha... 

MC

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Hoje fui correr para fugir ao silêncio

    Sinto-me a regredir, é como se toda a muralha, que cuidadosamente construí ao longo deste ano, estivesse a desmoronar aos poucos e poucos, dia após dia, levando consigo um pedaço de alegria e felicidade para um lugar longínquo do meu ser. 'O que se passa?';  'O que está a acontecer comigo agora?'; 'E porquê?'... Eu grito bem alto tentando penetrar o silêncio imaculado que se encontra à minha volta, grito com todas as forças que o silêncio ainda não me retirou... A frustração vai invadindo o meu ser e a minha mente. Eu quero respostas! Eu preciso de respostas!! Mas a única resposta que obtenho é um silêncio ainda mais profundo, ainda mais sinistro.
    Farto-me do silêncio avassalador, farto-me de mim. Decido pegar no meu par de ténis de corrida, no telemóvel e nos fones e vou correr. Não é correr para esquecer, tinha a sua piada se resultasse mas não resulta, por isso, vou correr numa tentativa de preencher algo. Como se as dores musculares e a escassez de ar nos meus pulmões fossem capazes de preencher algo mais em mim continuo em frente, continuo a correr com a força que sei nunca ter possuído. Começa uma nova música. Obrigo-me a correr mais e mais depressa, 'Só até a música voltar a mudar', penso. A música acaba, mas é tudo demasiado, não posso parar agora, por muito que sinta cada célula a ceder o meu cérebro ainda não está exausto, preciso de mais uma música (pelo menos mais uma) para preencher o que falta. O tempo continua a passar, mas de forma bem diferente, a música enche-me os ouvidos e distrai-me do cansaço que o meu corpo acusa. Acabou. Sento-me exausta na areia fria, desligo a música e fico a olhar para o horizonte durante o que parecem horas.
    Eventualmente levantei-me e voltei para casa numa corrida leve e refrescante. Passaram 4 horas desde que despertei esta manhã, não pareceu tanto tempo assim confesso. Encontro-me de novo no mais profundo silêncio do meu quarto, desta vez estou a escrever uns gatafunhos numa folha de papel. É algo sobre o que sinto, mas é demasiado confuso. Ocupei quase uma folha inteira a falar do facto de ter ido correr. Que absurdo! Como se alguém fosse perceber o que se passa na alma deste ser lendo sobre "Hoje fui correr para fugir ao silêncio"... Ignoro. Não preciso que compreendam o que me parece incompreensível. Ainda se escrevesse para alguém... Deixem-me dessas balelas, porque as pessoas são só pessoas, pessoas que olham para si e esquecem os outros, pessoas que só tentam fazer com que o seu mundo continue perfeito, não valia a pena escrever para tais pessoas. Agora que penso sobre o assunto, acho que escrevo os textos para mim mesma, mesmo aqueles textos em que de alguma forma refiro "O texto é para ti, sim tu criatura do mal que me fizeste qualquer coisa". No fundo sei que esse texto é apenas para a pequena pessoa que essa pessoa é dentro de mim.
    Voltando ao que é interessante... Correr, escrever para pessoas que existem dentro da minha pessoa... Falta o quê? Ah, talvez (mas só talvez), começar a dizer algo concreto sobre o que sinto. Centro-me no meu ser e tento perceber-me. Há algo de errado comigo, mais do que errado e mais do que o normal. Há realmente algo que me está a destruir por dentro, que está a fazer com que a minha muralha seja vista como um monte de cartas cautelosamente colocadas umas ao lado das outras mas que com uma pequena brisa caiem em efeito dominó. Não estou a achar piada rigorosamente nenhuma, é como se estivessem a fazer pouco de mim e do meu trabalho em manter tudo afastado do meu ser. Alguém ou algo está a forçar a barreira que impus ao mundo e está a conseguir. Memórias? Será que sim? Conheço-me demasiado bem, não são memórias. É outra coisa. As memórias há muito que deixaram de destruir a muralha, claro que elas existem e claro que ainda fazem abanar qualquer coisa no meu ser, mas isto é muito mais forte. Não quero que entre seja  que for. Desaparece! Nenhuma célula quer descobrir o que está a conseguir ultrapassar as minhas defesas porque não é suposto nada conseguir interferir desta maneira.
    Páro, acalmo-me, porque sei que irritada não consigo chegar a nenhum lado, olho em torno de mim, da minha vida e do que faço dela. Toda eu sou uma espiral que não sai do mesmo sítio. Toda eu e todo este texto, bem como a situação em si. É como se estivesse a vivenciar uma outra realidade. Uma realidade à parte da vossa realidade, uma realidade que não me deixa escapar e avançar e ser real. É tudo demasiado irreal, demasiado complexo, demasiado confuso, demasiado... É tudo demasiado!  Não aguento este demasiado... Vou desistir da minha demasia e contentar-me (ou fingir que me contento) com a superficialidade da vossa realidade, uma realidade onde o copo meio cheio (ou meio vazio) basta. A vida por metades serve-me, por enquanto. Tem que servir! Tem que servir porque não tenho forças para impedir esta demasia em mim, porque eu penso demais, porque sinto demais, porque mostro demais, porque eu sou demais até para mim mesma. Eu simplesmente já não me suporto!! Porque por mais que eu tente há sempre aquela voz irritante na minha cabeça a pedir mais e mais e mais, a dizer que eu sou cada vez demenos, que nem a um copo meio cheio chego e eu já não suporto.
    Vou correr para fugir ao silêncio, vou correr para fugir de mim, na esperança que encontre alguém que me queira por metades porque não sou capaz de ser por inteiro novamente, porque os pedaços de mim estão demasiado dispersos pelo chão e são demasiado aguçados para eu me atrever a andar no meio deles descalça. Vou correr para fugir, espero que percebas e não me persigas adorável "ser" que está a entrar no meu ser.


MC

sábado, 1 de agosto de 2015

Textos incoerentes

    Tu és o meu passado e ele o meu futuro. Era e é o que eu quero,simplicidade, preto no branco... Mas por mais que eu queira não é bem assim... Porque ainda há tanto de ti em mim e tanto dele que se esconde! Ele tem medo, eu medo tenho e tu achas que me tens na mão. Que trio maravilha este!
    Tu brincas com todas ou com ela para mexer comigo e eu finjo que nada se passa para te deixar irritado! Sabes no queisto vai dar? Em nada, porque eu para ti não volto e tu não queres aceitar isso... Como se não me conhecesses... Sabes que sou demasiado para ti! Demasiado orgulhosa, demasiado teimosa, demasiado racional, ao ponto de tornar o irracional em coerência e esquecer todos os vestígios de sentimentos que ainda tenho por ti! Porque tu não me fazes feliz, apenas as memórias do que um dia fomos. Sabes o que é engraçado? Ele. Porque ele tem tanto de ti mas nunca te conheceu, ele é como uma versão de ti mas ao mesmo tempo é um ser completamente diferente de ti, de tudo e de todos!
    Sinto que este texto é uma despedida definitiva de ti... Lembras-te daquela semana em que éramos só os dois dentro daquelas quatro paredes? Pois, estou aqui mas aqui sozinha e sinceramente pensei que seria difícil de suportar estar rodeada de memórias tuas. Mas não está a ser, está a ser tão fácil/normal (nem sei) que se torna assustador. É por isto que sinto e sei que  provavelmente este é o ultimo texto que escrevo para ti. Só quero que acredites quando te digo que de ti não consigo ser amiga não por te amar (porque não amo de todo) ou por te odiar ou ainda por achares que não te perdoei, mas sim porque não esqueci nem vou esquecer todas as mentiras contadas. Eu perdoei-te há muito e sabes disso, pelo menos já to tinha dito, por isso acredita que se estás fora da minha vida é porque te quero fora dela por ser o melhor para todos.
    E é agora que a incoerência se instala... Porque mesmo sem eu querer, tu "mandas" na minha vida, porque me destruíste de tal maneira que sou mais fragmentada que um puzzle de 500 mil peças. Eu quero a segurança que sinto na insegurança dele, mas o teu fantasma insiste em dizer-me que vou desfazer-me em pedaços novamente se tentar. E por isso eu quero e não quero, eu acho em vez de ter certezas, mas acho que não é assim tão grave. Não é grave porque todos temos as nossas incoerências e porque todo ele também é incoerente. Vendo bem as coisas, eu e ele somos incoerentes a tentar ter sentido, se bem que sem sabermos se queremos obter a porcaria do sentido um com o outro. Jesus... Tudo isto está a ser demasiado confuso... Para mim, para ti, para eles que lêem o que escrevo sem saberem do que falo, enfim... 
    É tudo tão incoerente na minha cabeça, parece que não consigo fazer sentido com aquilo que digo. São demasiados textos, demasiadas ideias e tudo incoerente... É como se estivesse para aqui a enrolar a enrolar e não saísse do mesmo sítio. Mas também quero sair daqui para onde? Vou hibernar

MC

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pára...

«Tens saudades dele ou das memórias do tempo em que estavam juntos?»

    São duas coisas diferentes mas que se confundem tão facilmente como estar feliz ou estar conformado com a realidade! Há quanto tempo estás neste estado de existência à espera que algo magicamente mude? À espera que ele te ligue a dizer que está mais do que arrependido por te ter deixado nesta lástima? Por favor, és mais inteligente que isto. Sabes bem que esse dia não vai chegar, pelo menos enquanto lhe deres motivos para ele acreditar que tens esta necessidade dele, que o amas acima de tudo e que se ele voltasse tu o desculparias mais depressa que a velocidade da luz. Eu sei que é isso que sentes, que tudo isto é verdade porque és tu, és completamente apaixonada por ele mas de uma vez por todas segue em frente. Porque tu conhece-lo melhor que ninguém e sabes perfeitamente que ele neste momento só quer ter curtes com raparigas que conhece no dia e que são fáceis porque acha que isso sim é diversão e é um goals na vida dele... Como não ser? Ele brinca como quer e sabe que quando se fartar a burra que é completamente apaixonada por ele estará lá para lhe dar aquela estabilidade e tudo mais que ele precise ou peça só por capricho.
    Como é que te deixaste chegar a este ponto? Como é que andas a rastejar por um verme? E não comeces já a defendê-lo que ele é diferente, que está só perdido e confuso! Tu sabes que isso são só desculpas que dás a ti própria para não te sentires tão mal porque sabes que estás a ser completamente irracional e parva por permitires que ele te magoe desta maneira. Eu já estive nesse lugar, no teu lugar (para ser sincera às vezes ainda sinto que estou nesse lugar). Eu sei o quanto dói saberes que ele desabafa e tem aquelas intimidades com a outra (ou outras), sei o quanto dói chegares ao ponto, por tudo o que ele te anda a fazer, de pensares que nunca sequer te amou, que te entregaste completamente a alguém que brinca com os teus sentimentos como se fosse uma bola de futebol. Sei o quanto custa secar as lágrimas todas as noites, fingir sorrisos durante os dias... Mas isso passa! Acredita nisso e não te deixes ir a baixo desta maneira, por favor... Tenta seguir com a tua vida, ele nunca te mereceu! Eu sei que achas que de alguma forma a culpa é tua, que foste tu que fizeste algo de errado, que és tu que não o mereces e que mereces passar por essa dor, aliás mereces sofrer muito mais porque és insignificante porque és uma merda... Isso não é verdade ok? Pára de pensar assim! Mata essa voz que te diz isso por favor, porque tu és linda à tua maneira! Porque tu vales a pena. Achas que não sei o quanto te mata por dentro seguir em frente, esquecer alguém que tu sentes que tinha tudo para ser "o tal"? Gostava de não saber! Gostava TANTO de não saber o que isso é!!!

    Sabes quanto tempo passou desde que ele me abandonou só porque era mais fácil fazê-lo do que tentar estar comigo? As contas dizem 11 meses mas sinto que é muito mais, quase uma eternidade. Já tive mais perdida do que estou agora, muito mais perdida acredita, mas sei que ainda me estou a descobrir, ainda estou a tentar sarar as feridas que ficaram depois de estar quase 2 anos com alguém que apesar de saber que não me mereceu me faz sentir saudades de tudo! 11 meses depois e ainda não consigo parar de pensar o que raio é que eu fiz de errado, o que é que elas, as raparigas com quem ele se tem divertido, têm que eu não tenho... Continuo a chorar por ele e pelo que podia ter sido admito isso e admito também que sei que estou a ser estúpida porque o problema não sou eu, não fui eu que desisti de algo por uma aventura que não passa disso... Não choro com tanta frequência. aliás só uma vez por outra quando estou mais sensível e me ponho a pensar em tudo e em nada. Sou tão burra, se soubesses o quanto sou burra por isto ou o quanto estás a ser burra por sofreres por ele. Não te deixes chegar a este ponto por favor...

    Eu sei que neste momento sou completamente diferente do que era à 1 ano atrás, mais fria talvez. Sei que não confio em nenhum rapaz à exceção da besta do "Caloiro", sei que não confio em quase ninguém, que sou antipática para a maioria das pessoas e que falo com 7 pedras na mão a quase toda a gente. Também sei que não é por mal mas isso não é desculpa eu sou assim porque permiti que me magoassem demasiado. Sinto tanto que sou uma merda não tens mesmo noção... Há dias em que chego a sentir-me bonita e penso mesmo que valho alguma coisa, mas são tão mais aqueles dias em que penso que nunca irei ser o suficiente seja para quem for, que irei morrer sozinha porque sou eu e estou demasiado quebrada para alguém conseguir suportar. Mas sabes o que me assusta mais neste momento? Saber que estou a deixar os melhores anos da minha vida passarem-me ao lado mas não saber o que fazer para impedir isso!

    PÁRA!!!!! Luta pela tua vida!! Não... Ugh não é por ele ok? É por ti, luta por ti!

Desabafos da vossa querida extraterrestre yeeeiii!! Admitam que até tinham saudades eu não mordo prometo (toda eu deficiente enfim...) Até à próxima,

MC

terça-feira, 7 de abril de 2015

Um pouco mais de mim....

    Por vezes deparo-me com a necessidade enorme de escrever tudo o que penso e tudo o que penso que sinto. Chego mesmo a pegar numa caneta e naquele meu bloco onde me permito ter sentimentos, mas depressa me repreendo mentalmente por o fazer em vez de estudar ou em vez de estar a tentar integrar-me na sociedade. Dá-se então uma guerra envolvendo todos os meus neurónios, células, sentimentos e emoções. E, enquanto essa batalha se sucede, finjo que sou alguém como tantos outros que me rodeiam, alguém dito normal concluo.
    Passado uns dias decido regressar àquele campo de batalha, na curiosidade de descobrir o desfecho que houve. Encontra-se tudo aparentemente calmo, suspiro prolongadamente, mostrando não um alivio como deveria mas um cansaço profundo. Aguardo o que já sei que vai acontecer. Não sou capaz de relaxar e (ainda bem que não o faço) de um momento para o outro, eles emergem de todos os cantos da minha mente para me atacarem com todos as críticas e mais algumas ao facto de os ter abandonado, desistindo de mim por uns tempos. Comportam-se com cães esfomeados quando finalmente encontram um ser indefeso destinado a ser chacinado por estas criaturas selvagens, e eu... Limito-me a comportar-me como o ser indefeso, não por me sentir uma vítima ou por querer que me vejam como uma, mas mais numa tentativa de não gastar demasiada energia em debater-me, porque sei que eles têm razão. Esquivo-me de todos os insultos proferidos até ao momento e lanço a derradeira pergunta: "O que é suposto fazer agora?" A resposta não me surpreende... Como punição tenho que decidir qual deles vence...
    Hoje parece-me um bom dia para escrever sobre o caos que vive na minha cabeça, sobre os meus demónios. (Não consigo dizer se é comum este desfecho ou não, depende realmente dos dias). Passo horas trancada naquilo que considero o meu quarto, durante esse curto período em que estou isolada as palavras brotam de mim com demasiada força, provocando uma ligeira corrente de água salgada nos meus olhos e uma forte dor de cabeça no final. Era exatamente este o motivo porque queria adiar a escrita... Fugi enquanto pude e sei que isso só tornou tudo mais devastador. Ao fim de todos estes anos a conviver com os meus demónios já deveria saber isto, é demasiado previsível o facto de nunca conseguir ter a destreza de escapar de mim mesma, mas o medo de tomar a decisão errada paralisou-me deixando-me apenas com a alternativa de me desligar de mim mesma. Acabo de escrever a tal nota pessoal, leio-a e releio-a, no mínimo 3 vezes, está demasiado ridícula, expõe demasiado a minha faceta humana, aquela rapariga frágil que tenho demasiado medo que o mundo descubra que existe. Paro no tempo durante uma eternidade ou apenas uns segundos, depende da perspetiva, e rasgo-a, queimo-a e, por fim, deito-a fora para que ninguém possa sequer ter uma ideia daquilo que me move... Finjo que nada do que se passou nos últimos dias realmente aconteceu, é mais fácil do que encarar que voltei a fugi ao inevitável. Até quando serei cobarde e fugirei de mim mesma? Não sei, apenas sei que não poderei fugir durante muito mais tempo, afinal fugir ao inevitável é impossível.
    Hoje parece um bom dia para refletir sobre tudo o que se passou, sobre tudo o que faço, ou não faço... Considero-me uma pessoa quase corajosa, não fosse o facto de ter medo de mim e de insistir em escapulir-me dos meus demónios, era um pessoa corajosa. Talvez um dia tenha a força para me enfrentar... Até lá vou-me submetendo àquela voz que se esforça ao máximo para todos os dias encontrar insultos novos para me dirigir, motivos novos para me insultar e ainda perspetivas novas (alguma bastante absurdas) de determinadas situações vividas em que, para não variar, tive a extraordinária habilidade de tomar a decisão errada. Sinto-me bastante hipócrita pois crítico todos os seres que preferem conformar-se ao invés de terem a coragem de não o fazer, para depois eu própria não ter a coragem de me enfrentar... 
    Devido a este sentimento, tenho pensado bastante na pequena (ou não) hipótese de fazer parte de mais um bando de pessoas ou de eu própria ser mais um bando. Ou se calhar nada disso é verdade e eu até sou uma pessoa corajosa e apenas sou demasiado exigente comigo mesma. Porque tenho aquele desejo de ser extraordinária e de deixar a minha marca no mundo, mas afinal quem não tem?


Desculpem por ter demorado exatamente 2 meses a publicar, já tinha este texto escrito há algum tempo mas tinha-o perdido e não me sentia capaz de escrever enquanto não o encontrasse.
MC

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Um Abraço... Um Beijo... Um Carinho...

    «Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio.»

    Um beijo é tudo isto e muito mais, então porquê partilhar intimidades com um perfeito estranho? Porquê vulgarizar algo tão especial? Não estou a dizer que beijar alguém seja algo do outro mundo, apenas considero que não é algo para se partilhar com uma qualquer pessoa só porque sim ou porque se acha a outra pessoa atraente. Contudo, obviamente que não é esta a opinião da sociedade, o que me faz pensar e repensar no que nos guia e rege as nossas atitudes hoje em dia. Hoje, olhamos à nossa volta e o que vemos é pura e simplesmente um monte de pessoas vulgares a tentarem impressionar-se constantemente, pena que de forma errada.
    A sociedade não passa de um bando de pessoas que não sabe ser, nem estar, nem crer ser, sabe apenas fingir, apenas vulgarizar pequenos gestos que no fundo significam o mundo. Um abraço, um beijo, um carinho, hoje em dia não passam disso mesmo, ações. Onde está aquele valor que havia? Aquele pensamento que nos fazia apenas ter estas pequenas, grandes, atitudes quando tinham significado, está escondido onde? Eu procuro, eu escavo todos e mais alguns pedacinhos soltos de pessoas que aparentam ser mais do que pessoas, na tentativa frustrada de o encontrar em mais alguém para além da minha pessoa. O que encontro é apenas uma espécie "inteligente" que é toda igual, que tem os mesmo princípios errados de como realmente ver as coisas... Sinto-me perdida... Muito mais do que perdida, para ser sincera.
    Olho para trás, para os lados, para cima, para baixo, para a frente e também para mais do que os sítios reais e a única coisa que pode ser vista é mais um "casal" a fingir ser, mais duas pessoas a recorrerem a estratégias, que deveriam ser pouco usuais, para impressionarem. Continuo à procura, procurando ignorar estes e aqueles seres que se dizem isto ou aquilo, vasculho como quem procura um bilhete de lotaria premiado no lixo... Esforço-me mais um pouco, tento ver para além das coisas e do real, desta vez sinto que estou quase lá, quase a encontrar algo mais do que um bando de pessoas, as minhas expectativas sobem (demasiado devo admitir) e depois... Depois desisto porque afinal era só mais um bando... Mais um dentro de muitos outros que ignorei, e penso como fui tão burra para me deixar levar pela remota hipótese de haver algo mais. Os minutos seguintes passo a esbofetear-me mentalmente por me ter deixado levar pelas emoções e sentimentos que habitam em mim, por ter perdido novamente tempo em vão, ou melhor, por ter perdido tempo porque quando não é em vão não é considerado uma perda.
    Regresso ao meu mundo, aquele que é tudo menos real e contento-me falando com o Alex, o Miguel ou o Tiago. Quem são? Apenas umas vozes que coabitam no mesmo ser que eu. Acabam por ser a minha esperança de que algo pode mudar, no fim de cada caminho que vasculho e escarafuncho até ao limite e apenas obtenho um bando de pessoas. Torno a sentir-me perdida, mas desta vez perdida em mim... Eu sei o que falta, sei o que quero encontrar mas duvido demasiadamente de mim e dou por mim a desistir de mim própria como quem se cansa de esperar por um autocarro que pode nunca chegar numa manhã fria. Eu quero um Tiago na minha vida, um Tiago que seja de carne e osso, que tenha uma imaginação tão ou mais fértil que a minha, que seja reservado e misterioso, que se deixe guiar pelos princípios corretos... No fundo quero um abraço, um beijo, um carinho... Quero aqueles pequenos pormenores que escapam a toda a gente exceto a mim e ao Tiago, porque são esses mesmos pormenores que fazem a vida valer a pena.

MC

domingo, 18 de janeiro de 2015

The Brave ones

    «Tão poucas pessoas corajosas em pleno em século XIX, meu deus!»

    Seja em que contexto nos encontremos, esta frase é aplicável e faz-nos muitas vezes divagar. Ora se em qualquer contexto (ou muito perto disso) podemos afirmar que nos encontramos rodeados maioritariamente por cobardes, significa, portanto, que maioritariamente somos cobardes? Ou que grande parte da população é cobarde?
    Ser corajoso não é só arriscar ir ao espaço quando ainda ninguém o tinha feito ou enfrentar animais selvagens. O tipo de coragem que é essencial e que está completamente em falta  não é esse. É a coragem de não se conformar com algo que não se concorda, a de perguntar quando não se tem a certeza, a de se desafiar constantemente, a de pôr em causa seja quem for, inclusive o próprio, só porque sim ou só porque se quer ou ainda só porque se pode. As pessoas corajosas que todos procuramos são estas e ainda aquelas que têm a ousadia de ser diferentes e de realmente fazerem a diferença, aquelas que se entregam como um todo a algo e/ou a alguém, aquelas que aceitam a loucura da vida mas mais que isso aceitam a sua loucura.
    Como vês ser corajoso não é só fazer "grandes" coisas como algumas pessoas anormais fazem. É saber arriscar, é lutar pelo que se quer, é querer ser diferente, é amar loucamente, é ser louco sem arrependimento, é ser amigo sem preconceitos. Mais do que sermos capazes de enfrentar os nossos medos, temos que ser capazes de ser HUMANOS para sermos corajosos. Porque para se ser humano não basta estar vivo, tem que se ter a consciência do que é bom e mau, que todos temos defeitos (mas não usar este "argumento" para desculpar toda a barbaridade que se vê diariamente). Tem que se ter a consciência que mais tarde ou mais cedo vamos falhar e não há nada de mal nisso porque é com os erros e com as quedas que aprendemos, que nos tornamos humanos.
    É tão inevitável falharmos antes de conseguirmos o que queremos como o é respirar. E, tal como respirar é essencial para estarmos vivos, falhar é imprescindível para nos tornarmos fortes, inteligentes, sábios e, pelo menos, minimamente interessantes. Porque alguém que passe por dificuldades mas mesmo assim não desista; alguém que tenha todos os motivos e mais alguns para se ir abaixo mas sorri e tenta com tudo o que é e com tudo o que tem correr atrás das oportunidades que a vida "dá" ou ainda alguém que se atreve a ser louco e a perseguir os seus sonhos até aos confins do mundo, é forte, é inteligente, possui uma sabedoria equiparável e, na minha opinião, é mais do que minimamente interessante.
    Então, continuas a achar-te corajoso só porque uma vez por obra e graça do espírito santo fizeste uma coisa em grande? Acho que te dei motivos suficientes para te fazer sentir desiludido contigo próprio. E sabes, não me arrependo de o ter feito nem pouco mais ou menos te vou pedir desculpa. Porque tu precisavas disto, precisavas de "abrir os olhos", de finalmente acordares e perceber o que se passa com a humanidade, com o que se passa contigo.

    É tão fácil ser-se corajoso, porém estamos em pleno século XIX e cada vez me sinto mais rodeada por pessoas não corajosas. Porquê? Porque é que deixaram de perseguir os vossos sonhos? Porque é que se conformaram com coisas que quando eram jovens loucos e sonhadores juraram nunca se conformar? Porque é que desistiram de se desafiar a vocês próprios? Porque é que desistiram daquele amor? PORRA!!! Porquê?! Vocês estão a tornar-se pessoas ou melhor seres desprezáveis e nem se dão conta disso. Parem, olhem à vossa volta, pensem. Pensem em tudo o que sonharam ter e ser, pensem em todas as promessas feitas (quer a vocês próprios quer com outra pessoa), pensem no que imaginaram ser a felicidade, pensem no que realmente foi a felicidade, pensem em tudo o que vos apetecer e também naquelas coisas que não querem pensar mas que teimam em aparecer na vossa mente. Acima de tudo, pensem no quão fácil podem conseguir o que querem se apenas tiverem a coragem de ser corajosos, de serem loucos ou apenas de serem você próprios. Sejam diferentes, não deixem de ser aquele jovem louco que persegue todos os sonhos até ao fim...


MC

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

«A escola faz mal»


    Este é sem duvida um dos melhores textos que li nos últimos tempos. E não comecem já com coisas que eu sou contra a escola e mais não sei o quê, porque não o sou!! Sou a favor da escola, sempre fui porque sempre me interessei por saber mais, por aprender sempre mais qualquer coisa. Mas realmente «a escola faz» mal quando nos formata a todos para um único sentido não permitindo que cada um de nós se exprima como realmente é, quando nos impõe determinados padrões que muitas vezes não nos fazem sentido mas que cumprimos para parecer bem e porque todos o fazem, porque temos medo de ser diferentes.
    Leiam a sério, é realmente arrebatador e verdadeiro aquilo que Eduardo Sá escreveu neste texto.

Falta muito pr'a chegar?...



MC

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Só Arranjo Desculpas...



    Hey hey!! Desculpem a demora na publicação de textos e essas cenas mas estou no meio de um bloqueio emocional, existencial wtv... E simplesmente não consigo escrever, não sai nada de nada! Já me sentei por várias vezes com uma folha em branco e um lápis e não dá. Além de que se pensar muito num texto ele não é tão natural e espontâneo e fica uma porcaria autêntica... So vou tentar sair desta nhanha de bloqueio para escrever alguma coisa possivelmente interessante para lerem.



Beijinhos, espero que tenho tido um Natal espetacular bem como uma entrada em 2015 digna e que obviamente tenham juízo.

MC