A imensidão do que sinto e do que penso vai tomando as rédeas da minha vida, sem que eu faça algo a respeito disto. Deixo a vida correr diante dos meus olhos enquanto estou aqui sentada, no meu canto, perdida nos meus labirintos ou nos labirintos dos outros. Será um erro deixar a vida passar? Será um erro interferir no seu percurso, quando não me sinto minimamente preparada para lidar com as consequências de tal acto? Na verdade, o que é um erro em si? O que é realmente errado? É errado tentar perceber-me e aceitar-me se este processo me custar demasiados "amigos" e demasiado tempo? Ou é errado não o realizar de todo, independentemente das consequências que traga? Será errado precisar de tempo?
Preciso de tempo, agora mais do que nunca. Agora mais do que em qualquer outra altura da minha vida, preciso de tempo. Preciso de mais horas por dia, ou de mais dias na semana e no mês; preciso de mais meses no ano ou de mais anos na minha vida. Na verdade não interessa de onde vem esse tempo extra ou onde é adicionado, o que interessa é que preciso de mais tempo. Tempo para mim, tempo para me resolver, tempo para me aceitar e para aceitar a realidade que me rodeia e faz parte de mim.
Sentada no meu canto observo cuidadosamente o mundo à minha volta, isto (claro) enquanto espero pelo meu tempo extra que desejo ter. Olho mil vezes para as mesmas pessoas e para as suas ações, porque quero perceber qual o segredo de todas estas pessoas para estarem resolvidas consigo e com a vida. São todos tão cheios de si, tão cheios de amigos, tão cheios de certezas, tão cheios de alegria e vida. Como? A única coisa da qual sou cheia é de duvidas. Duvidas sobre mim. Duvidas sobre os outros. Duvidas sobre o universo e a vida em si. Duvidas de tudo e de ada basicamente. Amigos tenho uns cinco ou seis, acho que basta mas por vezes tenho as minhas duvidas quanto a isto. Reputação...bem reputação tenho mas não é a melhor. Talvez outrora tenha sido mais benéfica para mim, mas pouco me importa para ser sincera. Pouco me importa o que todos pensam que sou, apenas o que eu penso de mim e o que aqueles cinco ou seis amigos pensam me interessa (e mesmo assim nem sempre tenho em consideração o que estas cinco ou seis criaturas pensam). Não quero parecer ingrata porque tenho tanto de bom na minha vida, mas não consigo estar cheia de alegria e vida como todos à minha volta. Talvez seja porque não estou resolvida comigo, ou talvez não. Serei ingrata?
Desisti de dar justificações esfarrapadas sobre a minha ausência, a verdade é que me esqueci deste meu pequeno mundo interligado a vocês e peço desculpa por isso.
MC