sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Exaustão de pensamentos

    Estou exausta... O meu corpo grita por descanso mas a minha mente teima em manter o turbilhão de pensamentos ativo. Cada vez me sinto a perder mais a coerência, é como se aos poucos me estivesse a tornar num grande borrão sem sentido. Toda eu sou notas soltas fora de contexto , agudos sem fim e graves em falta. Procuro a harmonia da melodia que me compõe mas sem sucesso e, por isso, torno-me apenas ruído de fundo. Estou exausta de todo o ruído que  não faz sentido, que é apenas o resto de algo que tinha tudo para ser mas não é. Estou exausta de mim.
    Quero poder ser mais do que sou. Quero ser vários seres, seres diferentes, seres únicos e espetaculares, seres peculiares e extraordinários, e não apenas este borrão de pensamentos. Quero poder morrer e não me sentir culpada por tudo o que deixei por fazer, por todos os sonhos que abandonei. Quero poder morrer em paz, mas acho que nem aí a encontrarei. Porque eu fujo dela devido à enorme necessidade que sinto em procurar as respostas a tudo e nada da minha realidade.
    Estou exausta de sentir que o grande problema tem a sua origem em mim e não na falta de essência que os outros apresentam. Estou simplesmente exausta tanto fisicamente como psicologicamente. Eu sou e sou e sou... nunca mais acabo de ser. Nunca sentiram isso? Nunca sentiram que eram diversos pedaços de coisas e seres completamente diferentes, de tal maneira que são e são e parece que nunca deixam de ser algo? Eu sinto-me assim. Sinto que sou tanto que no fim acabo por ser apenas um grande nada. Nunca se sentiram assim? Eu sinto-me tanto assim. Ao longo dos anos, talvez pelas diversas desilusões que fui saboreando, esse sentimento de culpa e de ser um grande nada tem vindo a crescer e a apoderar-se de todo o meu ser. Como é que eu explico isto a alguém de forma a perceberem realmente o que quero transmitir com o que digo? Como é que se faz para não se sentir constantemente um peso morto na vida de terceiros? É que eu não sei não me senti um borrão gigantesco e sem sentido na vida de todos aqueles com quem me cruzo. Por muito que a pessoa diga e repita que claramente não o sou, há sempre uma parte de mim que não consegue acreditar. O que me leva à única conclusão possível: o problema é de facto meu e não de todas aqueles que me deram dissabores.
    Estou exausta porque estou em constante conflito e nunca me consigo resolver.

O vosso borrão mais estranho e adorável,
MC

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Aparência Pacífica

    Tenho demasiados monstros despertos em mim. Não sei como os pôr, pelo menos, a dormir em mim. Não desta vez... Têm demasiada força e eu sou demasiado fraca, sempre fui. Pensava que estava muito melhor do que há 5 meses, mas a verdade é que apenas dei um pequeno passo em frente e custou-me tanto.. quer a nível de energia física quer de força psicológica, vendo bem, principalmente a nível de força psicológica. Talvez por isto me sinta um ser completamente inútil e a cada dia que passa um ser mais fraco. Falta-me tanto caminho por percorrer até estar minimamente estável e bem, falta uma eternidade na verdade. Será que o tempo que me resta é tempo suficiente para chegar a meio caminho? Será que desisto de mim e de tudo o que me rodeia antes? Não consigo encontrar um resposta dentro de mim, nem mesmo daquelas super rabiscadas e confusas em que possa trabalhar... E isso é, sinceramente, o que mais me assusta.
    Tenho demasiados monstros despertos em mim. Mais vulnerável do que me encontro só mesmo se estivesse completamente apaixonada por um outro. Cada passo que dou esgoto uma enorme reserva de energia apenas para que as lágrimas não comecem uma alegre corrente salgada ao longo da minha face morena. Sinto-me completamente sozinha, como se tivesse sido abandonada numa grande sala escura longe de tudo o que é conhecido. Sinto falta de um carinho mas afasto qualquer um que tente dar-me um sorriso. Sou uma besta insensível para esconder a sensibilidade extrema que em mim habita. Não quero sentir-me sozinha mas também não quero, nem consigo, chamar por alguém paara me fazer a companhia necessária para suportar todas as vozes que gritam em mim. Por isso, sento-me num silencio profundo enquanto sou devorada pelo barulho dos monstros acordados e tudo à minha volta parece desaparece, como se estivesse numa sala escura.
    Tenho demasiados monstros despertos em mim. Tenho demasiadas guerras dentro do meu ser para que consiga ser pacífica com a vida que me rodeia. Eu grito silenciosamente o mais alto que consigo mas é inútil. Mesmo que exista alguém a abrir-me a porta da enorme sala isolada, qu é o meu mundo, eu permaneço no canto mais escuro. Não há uma única célula em mim que queira sentir-se mais patética e vulnerável do que já é neste momento, por isso, permaneço longe do mundo, longe das pessoas, longe de confiar nalguma coisa fora da sala escura e isolada.
    Tenho demasiados monstros despertos em mim. Talvez por isso me tenha tornado o maior deles.


Talvez...

MC

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Criatura mítica

    Não me reconheço. Não faço ideia de quem é esta criatura em que me tornei. Nunca sonhei sequer em pensar que poderia tornar-me nisto. Quanto tempo se passou desde que me tornei nisto? Sinto-me completamente envergonhada no que sou hoje em dia, uma enorme parte de mim tornou-se em algo que sempre desprezei. Ironia da vida? Diria que é bem mais que isso. É uma punição por me ter esquecido de mim por tanto tempo. Tudo isto é uma ENORME consequência daquilo que fui e não fui durante muitos anos. Sempre me privei de tanto por achar que era o errado e por ter medo do que toda a gente pensaria que aquando de me encontrar num novo lugar, lugar esse com alguma distância de qualquer controlo, esqueci simplesmente tudo o que sempre fui... A falta de controlo, de qualquer tipo de controlo, deixa-me ansiosa e faz-me tomar todas as decisões erradas, pelo menos é assim que sinto o que tem acontecido neste ultimo ano em que me encontro fora de casa. Não foi um ano fácil, viver longe de tudo o que conhecia tornou-se um desafio gigante, não vou mentir, foram muitos os dias em que preferi passar o dia entre os lençóis com o computador no colo e os fones nos ouvidos em vez de me arranjar e ir aqueles cinco minutos a pé para a faculdade onde teria que interagir com a minha nova realidade. Não me orgulho mas não me arrependo, talvez tenham sido demais os dias que tirei só para mim e para as minhas reflexões ou talvez tenham sido demenos e talvez por isso me tenho perdido mais do que me tenho encontrado. Ou talvez eu seja um universo demasiado grande e complexo para algum dia realmente me encontrar, se essa for a minha realidade estarei preparada para o aceitar? Ou passarei a minha eternidade a procurar-me e me isole de toda a realidade?
Nunca me imaginei a fazer as coisas que hoje em dia faço numa tentativa de calar por uns meros segundos a voz dele em mim. Nada do que o cala em mim é saudável, eu sei disso, sei que tudo o que faço para o calar me destrói fisicamente mas preciso demasiado de paz e de silêncio para querer realmente importar-me sobre o quão errado é fazer o que tenho feito. É disso que tenho vergonha, daquilo que tenho feito para o manter afastado da minha mente por uns meros segundos, porque sinto e sei que o que apenas faço é fugir e esconder-me do vosso mundo. Não me reconheço... Será que sempre fui esta criatura que se esconde do que não se pode esconder tudo porque tem medo (oh demasiado medo) de enfrentar a realidade que a rodeia? Ou será que o medo que tenho é de me enfrentar? E todas as minhas decisões que me têm vindo a destruir sejam devido a eu estar a aceitar a realidade mas a fugir de mim e, por isso, quero tão desesperadamente acabar comigo... Não sei, Não consigo saber, estou demasiado perdida, estou demasiado obcecada em esconder a minha humanidade do mundo para saber. Mal consigo distinguir o que é real e o que apenas faz parte do eu mundo, sinto tudo e nada ao mesmo tempo e é tudo demasiado. Não consigo afirmar se tudo isto não passa de uma fase da minha existência ou se eu realmente me resumo a isto. Se tudo o que sou é este caos que respira mas não sabe bem se está a respirar ou se é algo ou alguém que o está a fazer enquanto este apenas observa. Se eu for este caos continuas assim tão completamente apaixonado por mim? Assim como estás agora, sim eu sei que me vais dizer que me esqueceste assim como se esquece aquelas coisas chatas que se dá na faculdade, mas ambos sabemos que isso não é verdade. Uma parte de mim continua a habitar o teu ser enquanto tu te recusas a aceitar a realidade. Ou então nada disto é verdade e sou eu que me recuso a aceitar que sou assim tão fácil de deixar partir, que a minha pessoa é só uma pessoa e que tal como tantas outras que cruzaram a tua vida eu apenas sou um passado cada vez mais longínquo.
Tudo me tem passado ao lado, não sinto nada e nada mais me solta ou me distrai da tua imagem constantemente na minha cabeça, da tua voz teimosa e alegre que habita em mim. Sinto-te tanto em mim quando estou sozinha. Adoro estar sozinha, não sei ao certo porquê, sempre pensei que fosse porque adoro perder-me dentro de mim enquanto o mundo continua a girar sobre si e em torno do Sol. No entanto, talvez seja porque adoro sentir-te mesmo que estejas a kilometros de mim, mesmo que estejas noutro universo impossível de atingir do local onde me encontro. Talvez porque sentir-te assim é sentir-me a mim, é chegar à minha verdadeira essência ou talvez eu esteja tão apaixonada por ti que procuro justificações minimamente plausíveis para o ridículo que é ter-me entregue assim a ti. Tudo são teorias e nada é concreto. É tudo uma espiral sem fim de pensamentos e perguntas sem resposta e teorias que tentam explicar tudo e acabam por explicar nada. Os últimos meses não são mais do que meros "talvez" a aparecerem e desaparecem dos meus pensamentos e não sei ao certo o que ando a desprezar para me dar ao luxo de te ter numa realidade paralela mas não me pareço importar com isso. Se tivesses no meu lugar importar-te-ias?


MC

domingo, 1 de maio de 2016

Espero que sejas feliz com o teu medo

    Ao longo do tempo tenho reparado que a única coisa que toda a gente faz é fugir. Fugir dos problemas, fugir dos sonhos, fugir de ser diferente, fugir dos medos.. De que serve fugir? De que serve não enfrentarmos o que nos prende e limita? Mas vocês gostam, vocês adoram ser limitados e depois queixarem-se que as coisas não correm como querem, que a vida é injusta e não vos permite terem o que desejam de mão beijada. O problema não é a vida nem o vosso passado ou os vossos traumas, o problema são vocês que não querem as coisas. Todos dizem "Ah queria que isto fosse assim ou assado" mas não trabalham, não correm atrás do que querem, não se arriscam, não enfrentam os vossos medos. Vocês limitam-se a desejar as coisas. Alguém que queira mesmo algo não pára porque é mais fácil culpar os sues medos do que se arriscar a ficar em cacos no fim, claro que não. Quando alguém quer mesmo vai ao fim do mundo para conseguir o que quer.
    És exatamente igual a toda a gente que tenho conhecido e é isso que mais me desilude em ti. Tu não queres realmente aquilo que dizes que queres. Tu consegues tudo aquilo que queres se quiseres mesmo (exceptuando claro voar, ler mentes, ser imortal, etc), mas não queres. Tu queres poder dizer que tentaste quando na verdade a única coisa que tentaste foi pensar em tentar, tu queres dizer que querias mesmo mas que a culpa de não teres feito nada foi do teu medo e do teu passado. Se tu quisesses não te deixavas prender por uma coisa tão insignificante como o medo de poderes ficar completamente despedaçado no fim. Não é não conseguires estar numa relação ou não conseguires entregar-te a alguém em toda a tua plenitude, é não quereres, é teres medo de tentar, é seres um cobarde que prefere fugir das coisas porque é mais seguro. Lol andas à procura da felicidade segura quando sabes que a felicidade é tudo mesmo tudo menos segura. A felicidade segura não é felicidade, é apenas uma ilusão. Não há qualquer tipo de segurança na felicidade e tu sabes, mas preferes iludir-te com essa ideia absurda, afinal de contas assim não corres o risco de sair magoado.
    Queres mesmo saber o segredo dos teus amigos para estarem numa relação há quase 2 anos, verem-se todos os dias o tempo inteiro e continuarem juntos? Eles querem estar juntos. Não lhes valia de nada amarem-se como se amam se não quisessem realmente estar um com o outro. Eles querem de tal maneira que se arriscam a ficar despedaçados só porque estarem juntos é muito menos assustador do que perderem o que têm. Eles querem tanto que confiam um no outro, que escolhem amar-se. Tu nunca vais ter isso enquanto não quiseres. Não te vale de nada gostares mesmo de alguém se não quiseres estar com essa pessoa, tu tens que querer escolher amá-la, tu tens que querer confiar nela, tens que querer simplesmente. Não precisas de te entregar de cabeça numa relação, não precisas de ser burro porque é exatamente isso que és se o fizeres assim. A confiança não nasce assim de um momento para o outro, é algo que precisa de ser plantado e cuidado todos os dias, como se fosse uma pequena planta. E tal como uma planta precisa de sol, água e ar puro para crescer, a confiança também delas precisa, sendo que estas três coisas são pequenos gestos que a pessoa faz só porque sim, são pequenos sacrifícios que fazemos porque queremos e não com o objetivo de querer algo em troca, são sorrisos em dias difíceis e beijos só porque sim. Tu não precisas de confiar cegamente em alguém, muito menos desde o início. Só precisas de querer confiar e de aos poucos te ires entregando. 
    «Uma relação é feita de pequenos nadas. Que são tudo.» Não é preciso muito, só querer. E é isso que não percebes ou não queres perceber. Não são precisos grandes gestos para que sejas feliz numa relação, só precisas dos pequenos nadas que acontecem ao longo dos dias e de realmente quereres. Mas lá está, tu não queres...
    Pode parecer que estou a ser demasiado dura contigo e que não te percebo, mas acredita que melhor que ninguém eu consigo entender o que se passa na tua cabeça. Eu já estive assim, mesmo antes de nós termos uma relação, lembraste quando fiz aquele erro estupido que foi cometido propositadamente para te magoar e te afastar? Bem, isso fui eu a ser o que tu estás a ser agora, isso fui eu a deixar que o meu medo fosse maior do que devia, isso fui eu a não querer realmente. Isso fui eu a ser igual a todos os outros... Sinceramente pensava que eras diferente, mas foi apenas uma ilusão. Espero que sejas feliz com o teu medo.

MC


Ps: Agora quero mesmo, mas de que é que me serve querer se tu não queres? Eu não vou voltar atrás no querer mas lembra-te que por mais que queira não fico a querer eternamente

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Não sei... Desculpa

    Não sei... Não sei o que te dizer em concreto, por isso, prefiro fingir que não vejo a tua preocupação e escondo-me no meu mundo. Sim, eu sei que te preocupas, mais do que devias aliás, mas não consigo encarar-te. Não quando tenho uma imensidão de pensamentos às voltas em torno de mim. Sei que não é justo para ti mas tenta perceber-me.
    Não sei o que te dizer. Eu quero conseguir sentar-me num sitio pacifico, apenas contigo, e conversar sobre tudo o que tenho pensado mas não consigo... A maioria das coisas que me passaram e passam pela cabeça são simplesmente estupidas, tenho perfeita noção disso. São mais que estupidas e absurdas, muito mais. E se calhar por isso esteja tão "Vai-te embora.. Afasta-te", porque sei que a tua reação não vai ser a melhor, porque a tua maneira de me ver vai ser completamente transformada e não sei até que ponto consigo olhar-te nos olhos e saber que sabes o que eles me dizem constantemente, saber que pensas que sou fraca, saber que sabes que choro dias e dias seguidos pelas coisas mais insignificantes.
   Não sei como te pedir ajuda sem me sentir demasiado fraca por o fazer.. Não sei e não sei se consigo por o orgulho de lado e ir bater à tua porta mostrando o exagero de sensibilidade que se apoderou de mim no dia que nasci. Odeio ser assim, eu não pedi por nada disto e tens que perceber isso. Não pedi para sentir o exagero que sinto. Não sei como enfrentar nada do que sinto.. Sou demasiado fraca e pouco corajosa para o fazer. Estou demasiado dividida entre ser e não ser, entre fingir ser e deixar transparecer o que sou, entre contar-te tudo ou deixar-te nesse estado.
    Eu quero conseguir contar-te tudo mas não consigo.. Por enquanto apenas consigo dizer-te que não sei o que te hei de dizer em concreto, nem como ou por onde começar. Apenas consigo dizer que talvez um dia consiga, mas que nem isso é algo que tenha a certeza que irá acontecer. Apenas consigo dizer-te que não sei... 


                                   ...              
                                                  Desculpa
                                                                             ...

MC

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tempestades pacíficas

    A chuva cai lá fora e vai batendo levemente na janela que é o portal para o mundo, o vosso mundo. Este bater leve e refrescante vai-se tornando aos poucos mais forte à medida que a tempestade se instala no mundo exterior ao meu ser. Ocorre então uma espécie de equilíbrio entre a vossa tempestade e a minha, já não sei como distinguir qual das tempestades me pertence, se a da chuva ou a dos demónios sorrateiros que fazem questão de coexistir quase pacificamente comigo. Será que posso escolher qual das tempestades quero que me destrua? Qual das duas será que me destrói de forma mais pacífica? Não sei, sinto-me confusa. Quero ser destruída pela natureza inerente ao meu ser ou pela natureza que me rodeia? Haverá alguém capaz de me ressuscitar do caos das cinzas depois? Esperem o quê? Estou mesmo a ponderar deixar-me ser destruída? O que raio há de errado comigo?! Ok vamos parar e respirar por uns segundos, ou se calhar por umas eternidades. Vamos não ser precipitados nas medidas a tomar por favor. Não percebo este súbito pensamento de destruição que surge na minha mente. Serão os meus demónios a tentarem de alguma forma comunicar comigo? Ou será apenas o efeito de uma noite mal dormida e, em parte, o efeito do dia cinzento que se encontra hoje a sobrevoar Lisboa?
    Demasiadas perguntas, escassas respostas. Tudo isto serão apenas devaneios de uma mente perturbada ou serão apenas palavras? Palavras, palavras, palavras... Não me consigo focar naquilo que tento transmitir. Estou demasiado feliz para conseguir pensar coerentemente. Uau!  Feliz mas escrevo estes gatafunhos como se estivesse a passar por uma fase má ou algo do género. (???) Não me percebo, não percebo esta ambiguidade, não faz sentido. Estou feliz mas por algum motivo penso em qual das tempestades me destruirá primeiro. Gosto de chuva, mais do que me molhar ela relaxa-me, faz-me refletir, faz-me sentir livre e extraordinariamente leve. As tempestades da natureza que me rodeia são sempre tão mais pacíficas quando comparadas com as catástrofes de pensamentos que me assombram. Voltei a escapulir-me ao assunto em questão, enfim... A facilidade com que me consigo esquivar ao que se está a passar cada vez me surpreende mais. Será que se  for correr à chuva as coisas melhoram?

BEM, DE VOLTA AO QUE INTERESSA POR FAVOR! 

    Para ser sincera sinto-me perdida, já não tenho a certeza do que sou, do que me assusta ou do que me tira o sono às quatro da manhã. São demasiados acontecimentos e sensações ao mesmo tempo, torna-se quase impossível raciocinar e chegar a alguma conclusão neste estado. Estou feliz.. não estou feliz.. Estou perdida.. afinal não.. Não sinto nada.. sinto tudo de uma vez.. Quero isto.. nã (...) Espera quero mesmo isto. É das poucas certezas que tenho, é isso e o estar a confundir-me cada vez mais neste texto incoerente sobre a minha tempestade pacífica. Na verdade estou aterrorizada e frágil, sinto-me completamente indefesa contra o caos que ainda está para vir. Parte dele já chegou e se instalou no meu ser, eu sei disso. Sei que se vai alastrando e à medida que o tempo passa mais caos vai chegando devagar e de forma sorrateira. Sei ainda que todo este processo não será interrompido a menos que eu me imponha, mas não sei se consigo tal proeza... Eu quero conseguir, mas há sempre aquela parte de mim que se recusa a se impor. E para concluir, sei que tudo isto não teria sequer inicio se eu me impusesse às vozes das pessoas  que tentam entrar no meu mundo e interagir com as minhas inseguranças, mas mais uma vez deixo que isto aconteça. Talvez afinal não seja assim tão forte como pensava. Talvez esta seja só uma parte de mim que nunca vai mudar. Talvez eu esteja a complicar tudo mais uma vez. De certeza que é isso. Eu tenho essa tendência sabem? A tendência de tornar tudo extraordinariamente complicado apenas pensando e refletindo sobre a realidade. Insisto sempre em interpretá-la e acabo assim. Assim neste estado tão estranho, assim nesta tempestade pacífica que me vai consumindo por dentro, que vai sugando as boas energias. Será demasiado tarde para desistir desta tempestade?


Wow! Adoro a sensação de passar o que parecem horas a escrever sobre o facto de estar completamente assustada por estar assim tão feliz e chegar ao fim e ter ficado completamente perdida no meu texto. Quero agradecer (não sei bem a quem ou ao quê) por ser esta criatura que quanto mais tenta perceber menos percebe. Uma salva de palmas para os níveis de anormalidade atingidos no dia de hoje pela minha pessoa!
Vá até à próxima pessoas normais e anormais que habitam o planeta Terra, vou tentar não perder a sanidade mental antes de  escrever mais alguma coisa igualmente estranha por estes lados. ;)

MC

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Uma sociedade aparente

    A sociedade atual pode ser caracterizada por um aglomerado de seres que se dizem inteligentes, mas que vivem apenas de acordo com padrões estereotipados. Padrões esses que estipulam e definem erradamente vários conceitos abstratos mas mais relevante que isso, padrões que afirmam, de forma implícita, que o “ter” é mais importante que o “ser”.
    Aparência é o aspeto, aquilo que se mostra superficialmente ou à primeira vista, e pelo qual se julga uma pessoa, uma situação ou uma coisa. Quererá isto dizer que estamos rodeados e apenas nos preocupamos com o que aparentemente é, quando pode nem sequer o ser? Wow!... Estamos num nível social extremamente interessante e nada superficial, onde os valores morais de cada um são obviamente mais importantes do que qualquer opinião formulada por terceiros à cerca da nossa imagem e do que vestimos ou temos. Claramente o físico de uma pessoa, a maneira de se vestir e os pertences que tem sempre foi algo considerável para alguns de nós, no entanto nos dias de hoje tudo isto é levado ao extremo, como se verifica no facto de uma pessoa possuir ou não tatuagens ou piercings ser critério para determinadas empresas aceitarem a pessoa para o trabalho, independentemente da qualidade da pessoa como profissional. É mais importante a imagem do que as capacidades da pessoa? Aliás, não somos, de acordo com os direitos humanos, livres? Ahhhh, calma a parte de "decorarmos" o nosso corpo como queremos não faz parte da nossa liberdade e como tal somos punidos e não arranjamos determinados empregos. Peço desculpa por me ter esquecido deste pequeno pormenor, não há qualquer motivo para a critica afinal.
    Antes de passar à parte  em que todos adoramos noticias escandalosas é preciso sublinhar o valor que a opinião de terceiros tem nas nossas vidas. Esta é tão valiosa que nos encontramos num jogo de “vale tudo” para termos a atenção pretendida da nossa audiência. Desde publicar fotos em trajes menores na Internet até concordarmos com a pessoa X só porque tem mais seguidores que a pessoa Y, o que é, obviamente, mais importante do que dizer algo realmente acertado e interessante.  "Ah só tens 20 likes esta publicação? Então como é que podes ter alguma credibilidade? O comentário deste bacano que discorda de ti tem 200 likes... Hum, de certeza absoluta que ele tem razão naquilo que diz e tu não." E assim somos todos felizes e cultos e claramente temos um cérebro e não um espaço quase vazio à exceção daquele bocadinho de fezes de galinha no centro do crânio. Aliás a nossa inteligência é completamente comprovada quando afirmamos tamanhas barbaridades apenas porque achamos que é isso que as pessoas querem ouvir/ler.
    Por outro lado, todos queremos ver os escândalos da sociedade, procuramos o sensacionalismo em tudo o que se passa ao invés de procurarmos notícias com conteúdo. Queremos poder criticar tudo e todos com base no que aparentam. Por exemplo, o facto de aquela atriz famosa usar o mesmo vestido em eventos públicos diferentes é algo que ao acontecer nos muda completamente a vida, ficamos completamente transtornados e indignados por esta o fazer. Para além disto há sempre o extraordinário jornalismo que se baseia em acontecimentos que são verídicos mas que a verdade estão longe de ter acontecido, nunca repararam?
    Resumindo, vivemos um mundo onde a aparência é claramente o foco principal de todos os que querem ser aceites pela grande maioria, mas não se aflijam somos fixes e é cool e baril (e essas coisas que agora todos dizem quando se referem a algo bom) vivermos um mundo aparente.



Agora vamos só fingir que isto foi publicado quando ainda era janeiro, só para eu não me sentir um parasita assim tão grande e presunçoso por não andar atualizar o blog uma vez por mês (que é o mínimo aceitável)... A vossa alienígena,

MC