sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Exaustão de pensamentos

    Estou exausta... O meu corpo grita por descanso mas a minha mente teima em manter o turbilhão de pensamentos ativo. Cada vez me sinto a perder mais a coerência, é como se aos poucos me estivesse a tornar num grande borrão sem sentido. Toda eu sou notas soltas fora de contexto , agudos sem fim e graves em falta. Procuro a harmonia da melodia que me compõe mas sem sucesso e, por isso, torno-me apenas ruído de fundo. Estou exausta de todo o ruído que  não faz sentido, que é apenas o resto de algo que tinha tudo para ser mas não é. Estou exausta de mim.
    Quero poder ser mais do que sou. Quero ser vários seres, seres diferentes, seres únicos e espetaculares, seres peculiares e extraordinários, e não apenas este borrão de pensamentos. Quero poder morrer e não me sentir culpada por tudo o que deixei por fazer, por todos os sonhos que abandonei. Quero poder morrer em paz, mas acho que nem aí a encontrarei. Porque eu fujo dela devido à enorme necessidade que sinto em procurar as respostas a tudo e nada da minha realidade.
    Estou exausta de sentir que o grande problema tem a sua origem em mim e não na falta de essência que os outros apresentam. Estou simplesmente exausta tanto fisicamente como psicologicamente. Eu sou e sou e sou... nunca mais acabo de ser. Nunca sentiram isso? Nunca sentiram que eram diversos pedaços de coisas e seres completamente diferentes, de tal maneira que são e são e parece que nunca deixam de ser algo? Eu sinto-me assim. Sinto que sou tanto que no fim acabo por ser apenas um grande nada. Nunca se sentiram assim? Eu sinto-me tanto assim. Ao longo dos anos, talvez pelas diversas desilusões que fui saboreando, esse sentimento de culpa e de ser um grande nada tem vindo a crescer e a apoderar-se de todo o meu ser. Como é que eu explico isto a alguém de forma a perceberem realmente o que quero transmitir com o que digo? Como é que se faz para não se sentir constantemente um peso morto na vida de terceiros? É que eu não sei não me senti um borrão gigantesco e sem sentido na vida de todos aqueles com quem me cruzo. Por muito que a pessoa diga e repita que claramente não o sou, há sempre uma parte de mim que não consegue acreditar. O que me leva à única conclusão possível: o problema é de facto meu e não de todas aqueles que me deram dissabores.
    Estou exausta porque estou em constante conflito e nunca me consigo resolver.

O vosso borrão mais estranho e adorável,
MC