sexta-feira, 8 de abril de 2016

Não sei... Desculpa

    Não sei... Não sei o que te dizer em concreto, por isso, prefiro fingir que não vejo a tua preocupação e escondo-me no meu mundo. Sim, eu sei que te preocupas, mais do que devias aliás, mas não consigo encarar-te. Não quando tenho uma imensidão de pensamentos às voltas em torno de mim. Sei que não é justo para ti mas tenta perceber-me.
    Não sei o que te dizer. Eu quero conseguir sentar-me num sitio pacifico, apenas contigo, e conversar sobre tudo o que tenho pensado mas não consigo... A maioria das coisas que me passaram e passam pela cabeça são simplesmente estupidas, tenho perfeita noção disso. São mais que estupidas e absurdas, muito mais. E se calhar por isso esteja tão "Vai-te embora.. Afasta-te", porque sei que a tua reação não vai ser a melhor, porque a tua maneira de me ver vai ser completamente transformada e não sei até que ponto consigo olhar-te nos olhos e saber que sabes o que eles me dizem constantemente, saber que pensas que sou fraca, saber que sabes que choro dias e dias seguidos pelas coisas mais insignificantes.
   Não sei como te pedir ajuda sem me sentir demasiado fraca por o fazer.. Não sei e não sei se consigo por o orgulho de lado e ir bater à tua porta mostrando o exagero de sensibilidade que se apoderou de mim no dia que nasci. Odeio ser assim, eu não pedi por nada disto e tens que perceber isso. Não pedi para sentir o exagero que sinto. Não sei como enfrentar nada do que sinto.. Sou demasiado fraca e pouco corajosa para o fazer. Estou demasiado dividida entre ser e não ser, entre fingir ser e deixar transparecer o que sou, entre contar-te tudo ou deixar-te nesse estado.
    Eu quero conseguir contar-te tudo mas não consigo.. Por enquanto apenas consigo dizer-te que não sei o que te hei de dizer em concreto, nem como ou por onde começar. Apenas consigo dizer que talvez um dia consiga, mas que nem isso é algo que tenha a certeza que irá acontecer. Apenas consigo dizer-te que não sei... 


                                   ...              
                                                  Desculpa
                                                                             ...

MC

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tempestades pacíficas

    A chuva cai lá fora e vai batendo levemente na janela que é o portal para o mundo, o vosso mundo. Este bater leve e refrescante vai-se tornando aos poucos mais forte à medida que a tempestade se instala no mundo exterior ao meu ser. Ocorre então uma espécie de equilíbrio entre a vossa tempestade e a minha, já não sei como distinguir qual das tempestades me pertence, se a da chuva ou a dos demónios sorrateiros que fazem questão de coexistir quase pacificamente comigo. Será que posso escolher qual das tempestades quero que me destrua? Qual das duas será que me destrói de forma mais pacífica? Não sei, sinto-me confusa. Quero ser destruída pela natureza inerente ao meu ser ou pela natureza que me rodeia? Haverá alguém capaz de me ressuscitar do caos das cinzas depois? Esperem o quê? Estou mesmo a ponderar deixar-me ser destruída? O que raio há de errado comigo?! Ok vamos parar e respirar por uns segundos, ou se calhar por umas eternidades. Vamos não ser precipitados nas medidas a tomar por favor. Não percebo este súbito pensamento de destruição que surge na minha mente. Serão os meus demónios a tentarem de alguma forma comunicar comigo? Ou será apenas o efeito de uma noite mal dormida e, em parte, o efeito do dia cinzento que se encontra hoje a sobrevoar Lisboa?
    Demasiadas perguntas, escassas respostas. Tudo isto serão apenas devaneios de uma mente perturbada ou serão apenas palavras? Palavras, palavras, palavras... Não me consigo focar naquilo que tento transmitir. Estou demasiado feliz para conseguir pensar coerentemente. Uau!  Feliz mas escrevo estes gatafunhos como se estivesse a passar por uma fase má ou algo do género. (???) Não me percebo, não percebo esta ambiguidade, não faz sentido. Estou feliz mas por algum motivo penso em qual das tempestades me destruirá primeiro. Gosto de chuva, mais do que me molhar ela relaxa-me, faz-me refletir, faz-me sentir livre e extraordinariamente leve. As tempestades da natureza que me rodeia são sempre tão mais pacíficas quando comparadas com as catástrofes de pensamentos que me assombram. Voltei a escapulir-me ao assunto em questão, enfim... A facilidade com que me consigo esquivar ao que se está a passar cada vez me surpreende mais. Será que se  for correr à chuva as coisas melhoram?

BEM, DE VOLTA AO QUE INTERESSA POR FAVOR! 

    Para ser sincera sinto-me perdida, já não tenho a certeza do que sou, do que me assusta ou do que me tira o sono às quatro da manhã. São demasiados acontecimentos e sensações ao mesmo tempo, torna-se quase impossível raciocinar e chegar a alguma conclusão neste estado. Estou feliz.. não estou feliz.. Estou perdida.. afinal não.. Não sinto nada.. sinto tudo de uma vez.. Quero isto.. nã (...) Espera quero mesmo isto. É das poucas certezas que tenho, é isso e o estar a confundir-me cada vez mais neste texto incoerente sobre a minha tempestade pacífica. Na verdade estou aterrorizada e frágil, sinto-me completamente indefesa contra o caos que ainda está para vir. Parte dele já chegou e se instalou no meu ser, eu sei disso. Sei que se vai alastrando e à medida que o tempo passa mais caos vai chegando devagar e de forma sorrateira. Sei ainda que todo este processo não será interrompido a menos que eu me imponha, mas não sei se consigo tal proeza... Eu quero conseguir, mas há sempre aquela parte de mim que se recusa a se impor. E para concluir, sei que tudo isto não teria sequer inicio se eu me impusesse às vozes das pessoas  que tentam entrar no meu mundo e interagir com as minhas inseguranças, mas mais uma vez deixo que isto aconteça. Talvez afinal não seja assim tão forte como pensava. Talvez esta seja só uma parte de mim que nunca vai mudar. Talvez eu esteja a complicar tudo mais uma vez. De certeza que é isso. Eu tenho essa tendência sabem? A tendência de tornar tudo extraordinariamente complicado apenas pensando e refletindo sobre a realidade. Insisto sempre em interpretá-la e acabo assim. Assim neste estado tão estranho, assim nesta tempestade pacífica que me vai consumindo por dentro, que vai sugando as boas energias. Será demasiado tarde para desistir desta tempestade?


Wow! Adoro a sensação de passar o que parecem horas a escrever sobre o facto de estar completamente assustada por estar assim tão feliz e chegar ao fim e ter ficado completamente perdida no meu texto. Quero agradecer (não sei bem a quem ou ao quê) por ser esta criatura que quanto mais tenta perceber menos percebe. Uma salva de palmas para os níveis de anormalidade atingidos no dia de hoje pela minha pessoa!
Vá até à próxima pessoas normais e anormais que habitam o planeta Terra, vou tentar não perder a sanidade mental antes de  escrever mais alguma coisa igualmente estranha por estes lados. ;)

MC