A chuva cai lá fora e vai batendo levemente na janela que é o portal para o mundo, o vosso mundo. Este bater leve e refrescante vai-se tornando aos poucos mais forte à medida que a tempestade se instala no mundo exterior ao meu ser. Ocorre então uma espécie de equilíbrio entre a vossa tempestade e a minha, já não sei como distinguir qual das tempestades me pertence, se a da chuva ou a dos demónios sorrateiros que fazem questão de coexistir quase pacificamente comigo. Será que posso escolher qual das tempestades quero que me destrua? Qual das duas será que me destrói de forma mais pacífica? Não sei, sinto-me confusa. Quero ser destruída pela natureza inerente ao meu ser ou pela natureza que me rodeia? Haverá alguém capaz de me ressuscitar do caos das cinzas depois? Esperem o quê? Estou mesmo a ponderar deixar-me ser destruída? O que raio há de errado comigo?! Ok vamos parar e respirar por uns segundos, ou se calhar por umas eternidades. Vamos não ser precipitados nas medidas a tomar por favor. Não percebo este súbito pensamento de destruição que surge na minha mente. Serão os meus demónios a tentarem de alguma forma comunicar comigo? Ou será apenas o efeito de uma noite mal dormida e, em parte, o efeito do dia cinzento que se encontra hoje a sobrevoar Lisboa?
Demasiadas perguntas, escassas respostas. Tudo isto serão apenas devaneios de uma mente perturbada ou serão apenas palavras? Palavras, palavras, palavras... Não me consigo focar naquilo que tento transmitir. Estou demasiado feliz para conseguir pensar coerentemente. Uau! Feliz mas escrevo estes gatafunhos como se estivesse a passar por uma fase má ou algo do género. (???) Não me percebo, não percebo esta ambiguidade, não faz sentido. Estou feliz mas por algum motivo penso em qual das tempestades me destruirá primeiro. Gosto de chuva, mais do que me molhar ela relaxa-me, faz-me refletir, faz-me sentir livre e extraordinariamente leve. As tempestades da natureza que me rodeia são sempre tão mais pacíficas quando comparadas com as catástrofes de pensamentos que me assombram. Voltei a escapulir-me ao assunto em questão, enfim... A facilidade com que me consigo esquivar ao que se está a passar cada vez me surpreende mais. Será que se for correr à chuva as coisas melhoram?
BEM, DE VOLTA AO QUE INTERESSA POR FAVOR!
Para ser sincera sinto-me perdida, já não tenho a certeza do que sou, do que me assusta ou do que me tira o sono às quatro da manhã. São demasiados acontecimentos e sensações ao mesmo tempo, torna-se quase impossível raciocinar e chegar a alguma conclusão neste estado. Estou feliz.. não estou feliz.. Estou perdida.. afinal não.. Não sinto nada.. sinto tudo de uma vez.. Quero isto.. nã (...) Espera quero mesmo isto. É das poucas certezas que tenho, é isso e o estar a confundir-me cada vez mais neste texto incoerente sobre a minha tempestade pacífica. Na verdade estou aterrorizada e frágil, sinto-me completamente indefesa contra o caos que ainda está para vir. Parte dele já chegou e se instalou no meu ser, eu sei disso. Sei que se vai alastrando e à medida que o tempo passa mais caos vai chegando devagar e de forma sorrateira. Sei ainda que todo este processo não será interrompido a menos que eu me imponha, mas não sei se consigo tal proeza... Eu quero conseguir, mas há sempre aquela parte de mim que se recusa a se impor. E para concluir, sei que tudo isto não teria sequer inicio se eu me impusesse às vozes das pessoas que tentam entrar no meu mundo e interagir com as minhas inseguranças, mas mais uma vez deixo que isto aconteça. Talvez afinal não seja assim tão forte como pensava. Talvez esta seja só uma parte de mim que nunca vai mudar. Talvez eu esteja a complicar tudo mais uma vez. De certeza que é isso. Eu tenho essa tendência sabem? A tendência de tornar tudo extraordinariamente complicado apenas pensando e refletindo sobre a realidade. Insisto sempre em interpretá-la e acabo assim. Assim neste estado tão estranho, assim nesta tempestade pacífica que me vai consumindo por dentro, que vai sugando as boas energias. Será demasiado tarde para desistir desta tempestade?
Wow! Adoro a sensação de passar o que parecem horas a escrever sobre o facto de estar completamente assustada por estar assim tão feliz e chegar ao fim e ter ficado completamente perdida no meu texto. Quero agradecer (não sei bem a quem ou ao quê) por ser esta criatura que quanto mais tenta perceber menos percebe. Uma salva de palmas para os níveis de anormalidade atingidos no dia de hoje pela minha pessoa!
Vá até à próxima pessoas normais e anormais que habitam o planeta Terra, vou tentar não perder a sanidade mental antes de escrever mais alguma coisa igualmente estranha por estes lados. ;)
MC
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