segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Boas estratégias?!

    «Adiar prazeres é uma boa estratégia» (CARDOSO, Miguel Esteves, "O arroz-doce quente", in Público, 18 de junho de 2010)


    É de facto uma «boa estratégia» esta que Miguel Esteves Cardoso defende. No entanto não sou completamente a favor da mesma. Considero que há de facto tempo para tudo e um tempo certo para que tudo aconteça, ainda assim não nos devemos prender a esta ideia de forma tão rígida e fixa pois pode impedir-nos de viver.
    Querer tudo não é saudável mas não querer nada de todo muito menos. O ideal seria, portanto, querer a meio termo. Mas querer apenas a meio termo não será por outro lado uma cobardia? Este tema é de facto muito controverso, pois «Adiar prazeres» pode ser «uma boa estratégia» mas ao mesmo tempo poderá não o ser visto que se adiarmos demasiado os prazeres poderemos não ter tempo para os concretizar mais tarde. A acrescentar esse facto, adiar prazeres traz implicitamente as expectativas demasiado elevadas o que poderá levar a um sentimento de desilusão aquando da decisão de realizar os nossos prazeres.
    No entanto, viver na euforia e estupidez do carpe diem [aproveita o momento] não é necessariamente bom e obviamente traz outras consequências. Há determinados prazeres que se não forem adiados mas sim vividos no momento, com uma qualquer idade, não são aproveitados nem saboreados como o deveriam, pois não possuímos a maturidade ou capacidade intelectual para nos apercebemos do que realmente se passa à nossa volta para além do que vemos. Só se faz determinada coisa pela primeira vez uma vez, e considero que de facto se for algo que desejamos muito deveremos aguardar por aquele que nos parece o momento certo e propicio para realizarmos esses nossos desejos. 
    E depois há quem defenda que o ideal será querer a meio termo, in medio virtus [a virtude está no meio], mas a vida é feita de altos e baixos. São esses altos e baixos que nos fazem realmente viver, até porque se observarmos um eletrocardiograma concluímos que para estarmos vivos este tem que apresentar altos e baixos, pois se possuir apenas uma ,linha reta significa que estamos mortos. Deste modo, são as virtudes e os problemas da vida que nos fazem sentir vivos. Se pensarmos um bocadinho, facilmente chegamos à conclusão que este modo de vida não é de todo o mais indicado, antes pelo contrário, é sempre preferível querer ter tudo ou não querer ter nada do que ter a meio termo e ficar sempre a pensar como seria ter por inteiro. A menos, claro que algum de nós num futuro queira olhar para o passado e arrepender-se de apenas ter aproveitado em parte uma determinada euforia quando tinha a possibilidade de a aproveitar por inteiro.
    Assim, defendo que devemos pensar na vida mas também de facto vivê-la, não estando constantemente a pensar no que poderá acontecer se nos entregarmos na nossa totalidade.


    Hey hey, desculpem a demora nas publicações não era de todo a minha intenção demorar quase 30 mil anos até publicar um novo texto critico. Espero que a espera tenha valido a pena e prometo que vou tentar publicar mais regularmente agora que as coisas estão mais calmas.

PS: Mantenham a cabeça no lugar mas não se esqueçam de viver.
MC

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Nada a acrescentar...

As palavras
"Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero"
Alice Vieira


    Desculpem não andar a publicar nem nada, nem nada de jeito mas testes e trabalhos e distúrbios é complicado de lidar com tudo e ainda ter tempo de escrever qualquer coisa de interessante. Mas de facto tenho dois ou três temas interessantes para abordar, falta-me realmente é o tempo para o fazer.Tentarei manter-vos a par das minhas críticas a tudo e mais alguma coisa. 

MC