quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Uma sociedade aparente

    A sociedade atual pode ser caracterizada por um aglomerado de seres que se dizem inteligentes, mas que vivem apenas de acordo com padrões estereotipados. Padrões esses que estipulam e definem erradamente vários conceitos abstratos mas mais relevante que isso, padrões que afirmam, de forma implícita, que o “ter” é mais importante que o “ser”.
    Aparência é o aspeto, aquilo que se mostra superficialmente ou à primeira vista, e pelo qual se julga uma pessoa, uma situação ou uma coisa. Quererá isto dizer que estamos rodeados e apenas nos preocupamos com o que aparentemente é, quando pode nem sequer o ser? Wow!... Estamos num nível social extremamente interessante e nada superficial, onde os valores morais de cada um são obviamente mais importantes do que qualquer opinião formulada por terceiros à cerca da nossa imagem e do que vestimos ou temos. Claramente o físico de uma pessoa, a maneira de se vestir e os pertences que tem sempre foi algo considerável para alguns de nós, no entanto nos dias de hoje tudo isto é levado ao extremo, como se verifica no facto de uma pessoa possuir ou não tatuagens ou piercings ser critério para determinadas empresas aceitarem a pessoa para o trabalho, independentemente da qualidade da pessoa como profissional. É mais importante a imagem do que as capacidades da pessoa? Aliás, não somos, de acordo com os direitos humanos, livres? Ahhhh, calma a parte de "decorarmos" o nosso corpo como queremos não faz parte da nossa liberdade e como tal somos punidos e não arranjamos determinados empregos. Peço desculpa por me ter esquecido deste pequeno pormenor, não há qualquer motivo para a critica afinal.
    Antes de passar à parte  em que todos adoramos noticias escandalosas é preciso sublinhar o valor que a opinião de terceiros tem nas nossas vidas. Esta é tão valiosa que nos encontramos num jogo de “vale tudo” para termos a atenção pretendida da nossa audiência. Desde publicar fotos em trajes menores na Internet até concordarmos com a pessoa X só porque tem mais seguidores que a pessoa Y, o que é, obviamente, mais importante do que dizer algo realmente acertado e interessante.  "Ah só tens 20 likes esta publicação? Então como é que podes ter alguma credibilidade? O comentário deste bacano que discorda de ti tem 200 likes... Hum, de certeza absoluta que ele tem razão naquilo que diz e tu não." E assim somos todos felizes e cultos e claramente temos um cérebro e não um espaço quase vazio à exceção daquele bocadinho de fezes de galinha no centro do crânio. Aliás a nossa inteligência é completamente comprovada quando afirmamos tamanhas barbaridades apenas porque achamos que é isso que as pessoas querem ouvir/ler.
    Por outro lado, todos queremos ver os escândalos da sociedade, procuramos o sensacionalismo em tudo o que se passa ao invés de procurarmos notícias com conteúdo. Queremos poder criticar tudo e todos com base no que aparentam. Por exemplo, o facto de aquela atriz famosa usar o mesmo vestido em eventos públicos diferentes é algo que ao acontecer nos muda completamente a vida, ficamos completamente transtornados e indignados por esta o fazer. Para além disto há sempre o extraordinário jornalismo que se baseia em acontecimentos que são verídicos mas que a verdade estão longe de ter acontecido, nunca repararam?
    Resumindo, vivemos um mundo onde a aparência é claramente o foco principal de todos os que querem ser aceites pela grande maioria, mas não se aflijam somos fixes e é cool e baril (e essas coisas que agora todos dizem quando se referem a algo bom) vivermos um mundo aparente.



Agora vamos só fingir que isto foi publicado quando ainda era janeiro, só para eu não me sentir um parasita assim tão grande e presunçoso por não andar atualizar o blog uma vez por mês (que é o mínimo aceitável)... A vossa alienígena,

MC