terça-feira, 24 de outubro de 2017

Not in Control Anymore

    A imensidão do que sinto e do que penso vai tomando as rédeas da minha vida, sem que eu faça algo a respeito disto. Deixo a vida correr diante dos meus olhos enquanto estou aqui sentada, no meu canto, perdida nos meus labirintos ou nos labirintos dos outros. Será um erro deixar a vida passar? Será um erro interferir no seu percurso, quando não me sinto minimamente preparada para lidar com as consequências de tal acto? Na verdade, o que é um erro em si? O que é realmente errado? É errado tentar perceber-me e aceitar-me se este processo me custar demasiados "amigos" e demasiado tempo? Ou é errado não o realizar de todo, independentemente das consequências que traga? Será errado precisar de tempo?
    Preciso de tempo, agora mais do que nunca. Agora mais do que em qualquer outra altura da minha vida, preciso de tempo. Preciso de mais horas por dia, ou de mais dias na semana e no mês; preciso de mais meses no ano ou  de mais anos na minha vida. Na verdade não interessa de onde vem esse tempo extra ou onde é adicionado, o que interessa é que preciso de mais tempo. Tempo para mim, tempo para me resolver, tempo para me aceitar e para aceitar a realidade que me rodeia e faz parte de mim.
    Sentada no meu canto observo cuidadosamente o mundo à minha volta, isto (claro) enquanto espero pelo meu tempo extra que desejo ter. Olho mil vezes para as mesmas pessoas e para as suas ações, porque quero perceber qual o segredo de todas estas pessoas para estarem resolvidas consigo e com a vida. São todos tão cheios de si, tão cheios de amigos, tão cheios de certezas, tão cheios de alegria e vida. Como? A única coisa da qual sou cheia é de duvidas. Duvidas sobre mim. Duvidas sobre os outros. Duvidas sobre o universo e a vida em si. Duvidas de tudo e de ada basicamente. Amigos tenho uns cinco ou seis, acho que basta mas por vezes tenho as minhas duvidas quanto a isto. Reputação...bem reputação tenho mas não é a melhor. Talvez outrora tenha sido mais benéfica para mim, mas pouco me importa para ser sincera. Pouco me importa o que todos pensam que sou, apenas o que eu penso de mim e o que aqueles cinco ou seis amigos pensam me interessa (e mesmo assim nem sempre tenho em consideração o que estas cinco ou seis criaturas pensam). Não quero parecer ingrata porque tenho tanto de bom na minha vida, mas não consigo estar cheia de  alegria e vida como todos à minha volta. Talvez seja porque não estou resolvida comigo, ou talvez não. Serei ingrata?


Desisti de dar justificações esfarrapadas sobre a minha ausência, a verdade é que me esqueci deste meu pequeno mundo interligado a vocês e peço desculpa por isso.

MC

sábado, 8 de abril de 2017

Should I drown?

    Sinto-me a sufocar constantemente. São demasiados segredos que apenas guardo para mim. Demasiados conflitos que tenho dentro de mim e me vão sufocando aos poucos. A cada dia que passa a minha ansiedade consome-me mais e mais. Até quando irei aguentar? Não sou de ferro, muito menos um ser insensível e, por isso, mas só talvez, me sinta a afogar em mim. Afogo-me cada vez mais e mais fundo. Não há ninguém que me possa salvar saltando para a água profunda e cortando as correntes que me aprisionam e me impedem de vir respirar calmamente à superfície. Não há ninguém porque eu não permito que tal pessoa exista. Não há ninguém porque eu não confio em ninguém para lhe dar a mão suplicando por ajuda. No fundo não há ninguém que me salve de mim porque eu não quero ser salva, porque acredito piamente que mereço afogar-me e sufocar em mim, mereço sofrer assim.
    Não sei ao certo o que fiz de tão errado mas não me consigo perdoar. De cada vez que me vejo ao espelho sinto que apenas mereço sofrer. Acho que de certa forma é por isso que acabo por boicotar todos os meus planos de ser feliz. Quando olho para mim de longe, como se fosse um espectador, consigo perceber que faço constantemente a escolha que me vai levar a sentir-me mal, que me vai provocar dor. Aliás, quanto mais dor eu souber que me vai provocar mais rapidamente eu tomo a decisão, chega a ser ridículo. Não digo que o faço sempre, sei que não é sempre, mas é a maioria das vezes. E não, isso não é algo que me deva orgulhar. Eu nem sequer devia pensar assim quanto mais agir de maneira a sofrer.
    Há esta nova série fantástica que se baseia num livro que cálculo que seja ainda mais fantástico (afinal todos sabemos que os livros são a melhor versão das histórias), é sobre uma rapariga que deixou que o mundo penetrasse nela e a destruísse completamente, e isso aconteceu de tal maneira que a única opção viável que encontrou foi suicidar-se... Até que ponto é que é bom uma pessoa que acha que merece sofrer e que não se consegue perdoar assistir ao que o mundo consegue fazer a alguém? Não sei, mas não deve ser bom, mas pior é que insisto em fazê-lo e consigo sentir todas as dores porque ela passou, consigo perceber perfeitamente o porquê de ela o ter feito. Não consigo deixar de ver cada episódio mesmo sabendo que me vai causar uma dor insuportável, não consigo deixar de pensar na noite em que eu só via essa opção e em como tudo seria diferente se tivesse tido a coragem de fazer o que a Hannah fez. Talvez não tenha escolhido agir porque sabia que de alguma forma é mais doloroso continuar por aqui a assistir nem sei bem ao quê enquanto o mundo me vai destruindo mais e mais, enquanto me vou afogando em mim mais e mais.
    Até que ponto é que irei deixar que o mundo penetre em mim e sugue tudo o que sou até ao mais ínfimo detalhe? Até que ponto não me irei perdoar e acabarei por ser eu quem destrói tudo o que ainda me dá vontade de aproveitar esta viagem? Até que ponto irei recusar a ajuda de que preciso para tentar encontrar paz interior? Ou, até que ponto é que a voz dentro da minha cabeça tem razão sobre mim e o que sou? São novamente demasiadas perguntas demasiado complexas e às quais eu não tenho absolutamente ideia nenhuma de qualquer resposta...


I see you guys around I suppose ;)

MC

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sou eu ou os outros?


    Não sei o que se passa comigo ao certo. São demasiadas mudanças de humor que são demasiado drásticas e bruscas. Ando numa corda bamba de sentimentos, uma corda bamba demasiado instável e estou demasiado cansada desta dança magnífica e majestosa que faço para manter o equilíbrio enquanto caminho em direção incerta pela vida. Sinto-me demasiado só para quem tem tanta gente preocupada em seu redor, sinto-me demasiado só ponto. É como se tudo a meu redor não passasse de um gigantesco borrão onde não é possível distinguir quem é quem, quem é real e quem apenas existe na minha imaginação. É-me impossível distinguir quem é meu amigo e quer realmente ajudar-me e aqueles que no fundo nunca me quiseram ver bem. Sinto-me só no meio de um gigantesco mundo de seres que aparentam e são monstros, e sinceramente não podia estar mais assustada.
    De repente encontro-me apenas com ela, a minha eterna "amiga" aquela que está constantemente a puxar-me para baixo, que faz questão de me relembrar o quão patética e insignificante sou. É cada vez mais difícil ignorá-la pelo simples facto de a cada dia que passa me encontrar mais sozinha com ela, mais isolada do vosso mundo. Não pedi para ser assim... Assim sensível e frágil. Assim patética e insegura. Nem pouco mais ou menos tive a hipótese de escolher não o ser. Tenho vindo a tentar controlar esta parte de mim e a tentar aceitá-la mas não me parece que esteja propriamente a ter algum sucesso.
    As pessoas têm vindo a magoar-me cada vez mais e mais. Será que sou eu que estou mais sensível? Será que são as pessoas que estão mais egoístas e viradas para si, de tal modo que não querem saber como chegam onde querem mas que apenas cheguem? De quem é a "culpa"? Será minha? Será da sociedade? Será de ambos? Não encontro as respostas para isto. Apenas sei que cada vez mais me isolo numa tentativa de proteger a princesa ridiculamente sensível. Mas isolar-me não pode ser solução, não é algo saudável. Afinal de contas sou humana e como tal necessito de interagir com outros humanos para que de certa forma mantenha a pouca sanidade mental que me resta. Para além disto quanto mais me isolo do mundo mais estou com ela no meu mundo e todos sabemos como isso acaba. Quanto mais estou com ela mais ataques de pânico e ansiedade sinto, menos durmo, menos como e mais paranóica fico. Isolar-me faz-me mal como podem ver. Então porque insisto e fazê-lo? Tão simples... Prefiro ser eu a magoar-me e a destruir-me do que dar esse poder a alguém de fora. E porque pensava que me conseguia controlar, que conseguia dosear o quanto me destruía e parar quando chegasse ao tal limite. Mas isso não é bem verdade, não é fácil permitir-me dar-lhe ouvidos e depois desligar do nada e voltar a ignorá-la. Ela é demasiado influente em mim para o conseguir fazer. Talvez por isto me sinta triste mesmo sabendo que não há nada de errado de concreto na minha vida que justifique esta tristeza.


    Não há nada de errado na minha vida, apenas ago de errado comigo.



Tenho andado um pouco apenas pelo meu mundo, espero que não tenham sentido muito a minha falta ahah! Abreijos,
MC