sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Hoje fui correr para fugir ao silêncio

    Sinto-me a regredir, é como se toda a muralha, que cuidadosamente construí ao longo deste ano, estivesse a desmoronar aos poucos e poucos, dia após dia, levando consigo um pedaço de alegria e felicidade para um lugar longínquo do meu ser. 'O que se passa?';  'O que está a acontecer comigo agora?'; 'E porquê?'... Eu grito bem alto tentando penetrar o silêncio imaculado que se encontra à minha volta, grito com todas as forças que o silêncio ainda não me retirou... A frustração vai invadindo o meu ser e a minha mente. Eu quero respostas! Eu preciso de respostas!! Mas a única resposta que obtenho é um silêncio ainda mais profundo, ainda mais sinistro.
    Farto-me do silêncio avassalador, farto-me de mim. Decido pegar no meu par de ténis de corrida, no telemóvel e nos fones e vou correr. Não é correr para esquecer, tinha a sua piada se resultasse mas não resulta, por isso, vou correr numa tentativa de preencher algo. Como se as dores musculares e a escassez de ar nos meus pulmões fossem capazes de preencher algo mais em mim continuo em frente, continuo a correr com a força que sei nunca ter possuído. Começa uma nova música. Obrigo-me a correr mais e mais depressa, 'Só até a música voltar a mudar', penso. A música acaba, mas é tudo demasiado, não posso parar agora, por muito que sinta cada célula a ceder o meu cérebro ainda não está exausto, preciso de mais uma música (pelo menos mais uma) para preencher o que falta. O tempo continua a passar, mas de forma bem diferente, a música enche-me os ouvidos e distrai-me do cansaço que o meu corpo acusa. Acabou. Sento-me exausta na areia fria, desligo a música e fico a olhar para o horizonte durante o que parecem horas.
    Eventualmente levantei-me e voltei para casa numa corrida leve e refrescante. Passaram 4 horas desde que despertei esta manhã, não pareceu tanto tempo assim confesso. Encontro-me de novo no mais profundo silêncio do meu quarto, desta vez estou a escrever uns gatafunhos numa folha de papel. É algo sobre o que sinto, mas é demasiado confuso. Ocupei quase uma folha inteira a falar do facto de ter ido correr. Que absurdo! Como se alguém fosse perceber o que se passa na alma deste ser lendo sobre "Hoje fui correr para fugir ao silêncio"... Ignoro. Não preciso que compreendam o que me parece incompreensível. Ainda se escrevesse para alguém... Deixem-me dessas balelas, porque as pessoas são só pessoas, pessoas que olham para si e esquecem os outros, pessoas que só tentam fazer com que o seu mundo continue perfeito, não valia a pena escrever para tais pessoas. Agora que penso sobre o assunto, acho que escrevo os textos para mim mesma, mesmo aqueles textos em que de alguma forma refiro "O texto é para ti, sim tu criatura do mal que me fizeste qualquer coisa". No fundo sei que esse texto é apenas para a pequena pessoa que essa pessoa é dentro de mim.
    Voltando ao que é interessante... Correr, escrever para pessoas que existem dentro da minha pessoa... Falta o quê? Ah, talvez (mas só talvez), começar a dizer algo concreto sobre o que sinto. Centro-me no meu ser e tento perceber-me. Há algo de errado comigo, mais do que errado e mais do que o normal. Há realmente algo que me está a destruir por dentro, que está a fazer com que a minha muralha seja vista como um monte de cartas cautelosamente colocadas umas ao lado das outras mas que com uma pequena brisa caiem em efeito dominó. Não estou a achar piada rigorosamente nenhuma, é como se estivessem a fazer pouco de mim e do meu trabalho em manter tudo afastado do meu ser. Alguém ou algo está a forçar a barreira que impus ao mundo e está a conseguir. Memórias? Será que sim? Conheço-me demasiado bem, não são memórias. É outra coisa. As memórias há muito que deixaram de destruir a muralha, claro que elas existem e claro que ainda fazem abanar qualquer coisa no meu ser, mas isto é muito mais forte. Não quero que entre seja  que for. Desaparece! Nenhuma célula quer descobrir o que está a conseguir ultrapassar as minhas defesas porque não é suposto nada conseguir interferir desta maneira.
    Páro, acalmo-me, porque sei que irritada não consigo chegar a nenhum lado, olho em torno de mim, da minha vida e do que faço dela. Toda eu sou uma espiral que não sai do mesmo sítio. Toda eu e todo este texto, bem como a situação em si. É como se estivesse a vivenciar uma outra realidade. Uma realidade à parte da vossa realidade, uma realidade que não me deixa escapar e avançar e ser real. É tudo demasiado irreal, demasiado complexo, demasiado confuso, demasiado... É tudo demasiado!  Não aguento este demasiado... Vou desistir da minha demasia e contentar-me (ou fingir que me contento) com a superficialidade da vossa realidade, uma realidade onde o copo meio cheio (ou meio vazio) basta. A vida por metades serve-me, por enquanto. Tem que servir! Tem que servir porque não tenho forças para impedir esta demasia em mim, porque eu penso demais, porque sinto demais, porque mostro demais, porque eu sou demais até para mim mesma. Eu simplesmente já não me suporto!! Porque por mais que eu tente há sempre aquela voz irritante na minha cabeça a pedir mais e mais e mais, a dizer que eu sou cada vez demenos, que nem a um copo meio cheio chego e eu já não suporto.
    Vou correr para fugir ao silêncio, vou correr para fugir de mim, na esperança que encontre alguém que me queira por metades porque não sou capaz de ser por inteiro novamente, porque os pedaços de mim estão demasiado dispersos pelo chão e são demasiado aguçados para eu me atrever a andar no meio deles descalça. Vou correr para fugir, espero que percebas e não me persigas adorável "ser" que está a entrar no meu ser.


MC

sábado, 1 de agosto de 2015

Textos incoerentes

    Tu és o meu passado e ele o meu futuro. Era e é o que eu quero,simplicidade, preto no branco... Mas por mais que eu queira não é bem assim... Porque ainda há tanto de ti em mim e tanto dele que se esconde! Ele tem medo, eu medo tenho e tu achas que me tens na mão. Que trio maravilha este!
    Tu brincas com todas ou com ela para mexer comigo e eu finjo que nada se passa para te deixar irritado! Sabes no queisto vai dar? Em nada, porque eu para ti não volto e tu não queres aceitar isso... Como se não me conhecesses... Sabes que sou demasiado para ti! Demasiado orgulhosa, demasiado teimosa, demasiado racional, ao ponto de tornar o irracional em coerência e esquecer todos os vestígios de sentimentos que ainda tenho por ti! Porque tu não me fazes feliz, apenas as memórias do que um dia fomos. Sabes o que é engraçado? Ele. Porque ele tem tanto de ti mas nunca te conheceu, ele é como uma versão de ti mas ao mesmo tempo é um ser completamente diferente de ti, de tudo e de todos!
    Sinto que este texto é uma despedida definitiva de ti... Lembras-te daquela semana em que éramos só os dois dentro daquelas quatro paredes? Pois, estou aqui mas aqui sozinha e sinceramente pensei que seria difícil de suportar estar rodeada de memórias tuas. Mas não está a ser, está a ser tão fácil/normal (nem sei) que se torna assustador. É por isto que sinto e sei que  provavelmente este é o ultimo texto que escrevo para ti. Só quero que acredites quando te digo que de ti não consigo ser amiga não por te amar (porque não amo de todo) ou por te odiar ou ainda por achares que não te perdoei, mas sim porque não esqueci nem vou esquecer todas as mentiras contadas. Eu perdoei-te há muito e sabes disso, pelo menos já to tinha dito, por isso acredita que se estás fora da minha vida é porque te quero fora dela por ser o melhor para todos.
    E é agora que a incoerência se instala... Porque mesmo sem eu querer, tu "mandas" na minha vida, porque me destruíste de tal maneira que sou mais fragmentada que um puzzle de 500 mil peças. Eu quero a segurança que sinto na insegurança dele, mas o teu fantasma insiste em dizer-me que vou desfazer-me em pedaços novamente se tentar. E por isso eu quero e não quero, eu acho em vez de ter certezas, mas acho que não é assim tão grave. Não é grave porque todos temos as nossas incoerências e porque todo ele também é incoerente. Vendo bem as coisas, eu e ele somos incoerentes a tentar ter sentido, se bem que sem sabermos se queremos obter a porcaria do sentido um com o outro. Jesus... Tudo isto está a ser demasiado confuso... Para mim, para ti, para eles que lêem o que escrevo sem saberem do que falo, enfim... 
    É tudo tão incoerente na minha cabeça, parece que não consigo fazer sentido com aquilo que digo. São demasiados textos, demasiadas ideias e tudo incoerente... É como se estivesse para aqui a enrolar a enrolar e não saísse do mesmo sítio. Mas também quero sair daqui para onde? Vou hibernar

MC