Tenho demasiados monstros despertos em mim. Não sei como os pôr, pelo menos, a dormir em mim. Não desta vez... Têm demasiada força e eu sou demasiado fraca, sempre fui. Pensava que estava muito melhor do que há 5 meses, mas a verdade é que apenas dei um pequeno passo em frente e custou-me tanto.. quer a nível de energia física quer de força psicológica, vendo bem, principalmente a nível de força psicológica. Talvez por isto me sinta um ser completamente inútil e a cada dia que passa um ser mais fraco. Falta-me tanto caminho por percorrer até estar minimamente estável e bem, falta uma eternidade na verdade. Será que o tempo que me resta é tempo suficiente para chegar a meio caminho? Será que desisto de mim e de tudo o que me rodeia antes? Não consigo encontrar um resposta dentro de mim, nem mesmo daquelas super rabiscadas e confusas em que possa trabalhar... E isso é, sinceramente, o que mais me assusta.
Tenho demasiados monstros despertos em mim. Mais vulnerável do que me encontro só mesmo se estivesse completamente apaixonada por um outro. Cada passo que dou esgoto uma enorme reserva de energia apenas para que as lágrimas não comecem uma alegre corrente salgada ao longo da minha face morena. Sinto-me completamente sozinha, como se tivesse sido abandonada numa grande sala escura longe de tudo o que é conhecido. Sinto falta de um carinho mas afasto qualquer um que tente dar-me um sorriso. Sou uma besta insensível para esconder a sensibilidade extrema que em mim habita. Não quero sentir-me sozinha mas também não quero, nem consigo, chamar por alguém paara me fazer a companhia necessária para suportar todas as vozes que gritam em mim. Por isso, sento-me num silencio profundo enquanto sou devorada pelo barulho dos monstros acordados e tudo à minha volta parece desaparece, como se estivesse numa sala escura.
Tenho demasiados monstros despertos em mim. Tenho demasiadas guerras dentro do meu ser para que consiga ser pacífica com a vida que me rodeia. Eu grito silenciosamente o mais alto que consigo mas é inútil. Mesmo que exista alguém a abrir-me a porta da enorme sala isolada, qu é o meu mundo, eu permaneço no canto mais escuro. Não há uma única célula em mim que queira sentir-se mais patética e vulnerável do que já é neste momento, por isso, permaneço longe do mundo, longe das pessoas, longe de confiar nalguma coisa fora da sala escura e isolada.
Tenho demasiados monstros despertos em mim. Talvez por isso me tenha tornado o maior deles.
Talvez...
MC
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