Estou parada no tempo sem saber. Ou se calhar até sei mas não me importo. A vida tem esta ambiguidade extraordinária e espetacularmente avassaladora. Eu tenho esta ambiguidade dentro do meu ser. Quererá isto dizer que eu sou a vida que me rodeia? Ou será que estou apenas tão entranhada na própria vida que sem me aperceber vou adquirindo as suas características peculiares? Independentemente das respostas a estas intrigantes perguntas, sinto que não me movo no tempo e no espaço que me rodeia. É como se estivesse a observar uma realidade sem que a possa alterar e, sabendo disso, limito-me a ficar estática enquanto tudo se enrola e desenrola no mundo. Não consigo perceber se estou a viver ou apenas a assistir a um grande e confuso filme, sendo este (claramente) um cocktail de drama, comédia, romance, thriller, ação, enfim... Quero acreditar que estou de facto a viver mas a verdade é que não me sinto viva. A verdade é que tenho que ser completamente honesta comigo mesma, pelo menos comigo, e assim sendo admito que apenas me sinto realmente viva quando estou perante perigo eminente. Não quero com isto dizer que só quando estou à beira da morte é que me sinto viva, claro que não. Não é esse tipo de perigo. É aquele perigo relacionado com outras pessoas e com sentimentos, é o tipo de perigo que te arrasa completamente quer tu ganhes ou percas. É o tipo de perigo que qualquer ser humano minimamente são se afasta o mais rapidamente possível, porque é o tipo de perigo que requer uma coragem fora do comum com um gosto de loucura. Ou então basta seres incrivelmente louco, estupido e ingénuo. [Desisti de saber qual dos dois sou ou sequer se sou algum dos dois, porque sou incrivelmente estupida e louca e corajosa, mas não sou ingénua...]
O problema é que este perigo tem mais do que uma face, mais do que um nome... Ou então tem apenas um e sou eu que já ando tão enterrada em mim e no que penso e sinto e no que penso que sinto que já acho que há mais do que "só" ele a fazer-me sentir assim. Tudo isto é tão errado mas faz-me sentir tão bem... Talvez bem não seja a palavra certa, mas faz-me sentir de uma maneira que eu sentia falta de sentir decididamente. De cada vez que o sinto, mesmo que seja apenas na minha imaginação, sinto-me tão viva, tão autêntica, tão eu que acabo por me deixar ir e quando dou por mim o tempo passou e permaneci no mesmo local de sempre. Racionalmente tudo isto é tão absurdo. É como se precisasse de morrer para me sentir viva, e de facto talvez seja exatamente isso. Racionalmente estou apenas a ser uma menina mimada a fazer uma birra enorme porque quer aquele e só aquele boneco específico, como se só esse fosse perfeitamente imperfeito e, por isso, capaz de me preencher. Mas ele não é um boneco e isto não é racional. Porque racionalmente tudo é possível, toda uma vida é possível sem emoções extremas... No entanto, a vida não é apenas "racionalmente", muito menos a minha. Eu preciso de emoções extremas que abalem o meu ser para que consiga sentir-me mais do que um robot ou um zombie. Para ser sincera sou completamente viciada nessas emoções, mesmo completamente! Tenho esta necessidade absurda de sentir tudo com todas as forças, com todas as células do meu corpo, porque se assim não o for não sou nada. Não sinto nada. Porque eu sou este ser estranho que é tudo ou nada, que não sabe sentir em doses homeopáticas e depois o que ganho? Olhares de pena por parte de pessoas que nunca me irão perceber, que nem sequer me conhecem; sermões de pessoas que se preocupam comigo; insónias, etc... Mas percebam EU SOU MESMO ASSIM! Eu não consigo e não quero deixar de ser assim!
Eu preciso de me sentir realmente viva. Preciso de fazer determinadas coisas por muito erradas que sejam porque simplesmente é o que me faz sentir que estou realmente a viver a minha vida. Eu sei que é errado, que me vou magoar e que não posso (ou não devo) mas é disso que eu preciso, porque só me sinto viva quando tenho aquele formigueiro na barriga. Talvez o meu problema seja exatamente esta necessidade de correr e lutar pelo impossível, de lutar por amores impossíveis só porque considero que tenho esse direito.
MC
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