domingo, 8 de fevereiro de 2015

Um Abraço... Um Beijo... Um Carinho...

    «Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio.»

    Um beijo é tudo isto e muito mais, então porquê partilhar intimidades com um perfeito estranho? Porquê vulgarizar algo tão especial? Não estou a dizer que beijar alguém seja algo do outro mundo, apenas considero que não é algo para se partilhar com uma qualquer pessoa só porque sim ou porque se acha a outra pessoa atraente. Contudo, obviamente que não é esta a opinião da sociedade, o que me faz pensar e repensar no que nos guia e rege as nossas atitudes hoje em dia. Hoje, olhamos à nossa volta e o que vemos é pura e simplesmente um monte de pessoas vulgares a tentarem impressionar-se constantemente, pena que de forma errada.
    A sociedade não passa de um bando de pessoas que não sabe ser, nem estar, nem crer ser, sabe apenas fingir, apenas vulgarizar pequenos gestos que no fundo significam o mundo. Um abraço, um beijo, um carinho, hoje em dia não passam disso mesmo, ações. Onde está aquele valor que havia? Aquele pensamento que nos fazia apenas ter estas pequenas, grandes, atitudes quando tinham significado, está escondido onde? Eu procuro, eu escavo todos e mais alguns pedacinhos soltos de pessoas que aparentam ser mais do que pessoas, na tentativa frustrada de o encontrar em mais alguém para além da minha pessoa. O que encontro é apenas uma espécie "inteligente" que é toda igual, que tem os mesmo princípios errados de como realmente ver as coisas... Sinto-me perdida... Muito mais do que perdida, para ser sincera.
    Olho para trás, para os lados, para cima, para baixo, para a frente e também para mais do que os sítios reais e a única coisa que pode ser vista é mais um "casal" a fingir ser, mais duas pessoas a recorrerem a estratégias, que deveriam ser pouco usuais, para impressionarem. Continuo à procura, procurando ignorar estes e aqueles seres que se dizem isto ou aquilo, vasculho como quem procura um bilhete de lotaria premiado no lixo... Esforço-me mais um pouco, tento ver para além das coisas e do real, desta vez sinto que estou quase lá, quase a encontrar algo mais do que um bando de pessoas, as minhas expectativas sobem (demasiado devo admitir) e depois... Depois desisto porque afinal era só mais um bando... Mais um dentro de muitos outros que ignorei, e penso como fui tão burra para me deixar levar pela remota hipótese de haver algo mais. Os minutos seguintes passo a esbofetear-me mentalmente por me ter deixado levar pelas emoções e sentimentos que habitam em mim, por ter perdido novamente tempo em vão, ou melhor, por ter perdido tempo porque quando não é em vão não é considerado uma perda.
    Regresso ao meu mundo, aquele que é tudo menos real e contento-me falando com o Alex, o Miguel ou o Tiago. Quem são? Apenas umas vozes que coabitam no mesmo ser que eu. Acabam por ser a minha esperança de que algo pode mudar, no fim de cada caminho que vasculho e escarafuncho até ao limite e apenas obtenho um bando de pessoas. Torno a sentir-me perdida, mas desta vez perdida em mim... Eu sei o que falta, sei o que quero encontrar mas duvido demasiadamente de mim e dou por mim a desistir de mim própria como quem se cansa de esperar por um autocarro que pode nunca chegar numa manhã fria. Eu quero um Tiago na minha vida, um Tiago que seja de carne e osso, que tenha uma imaginação tão ou mais fértil que a minha, que seja reservado e misterioso, que se deixe guiar pelos princípios corretos... No fundo quero um abraço, um beijo, um carinho... Quero aqueles pequenos pormenores que escapam a toda a gente exceto a mim e ao Tiago, porque são esses mesmos pormenores que fazem a vida valer a pena.

MC

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