Agora que a raiva da sociedade em si já passou quero falar um pouco do outro significado da palavra "vazio". O vazio pode ser considerado o sentimento de ausência ou perda, mas será que essa perda é em relação a tudo na vida? Ou será que apenas podemos considerar um sentimento de perda em determinadas situações? Para mim, um sentimento não pode ser banalizado e, por isso, considero que podemos afirmar sentir a perda de alguma coisa ou alguém em qualquer situação, porque as pessoas são todas diferentes e o que pode parecer insignificante para alguém pode ser completamente devastador para outra pessoa. O que me leva a pensar noutro tema: A sociedade e o seu julgamento. Se não conhecemos a pessoa não a devemos julgar é tão simples quanto isso, mas todos julgamos os outros independentemente de acharmos que não se deve fazê-lo... Somos uma raça tão simples e descomplicada, não haja dúvidas. Passando à frente, eu percebo que seja complicado para nós assistirmos aos nossos amigos/as sofrerem pela pessoa errada, e muitas vezes fazemos juízos de valor do tipo "Ele/a não te merece, não sei o que continuas a ver nele/a e porque estás nesse estado quando ele/a não se importa minimamente." Ok eu percebo, mas podem guardar esses julgamentos para vocês próprios? Uma pessoa quando está a sofrer um desgosto de amor ou está a sofrer com o fim de um relacionamento (o tal sentimento de perda) não precisa que os outros estejam sempre a relembrar o porque de se estar assim, aliás na maioria dos casos o seu cérebro trata de fazer isso a todos os instantes.
É essencialmente este sentimento de perda que me domina. Mais do que a perda desse alguém, é a perda de mim própria, sinto-me completamente perdida sem ele. Talvez porque uma parte de mim saiba que quando ele partiu não partiu só ele mas também uma parte da minha essência. Tenho que admitir, sou contra sofrer por amor ou contra todas as "coisas pirosas" que a grande parte da comunidade feminina gosta mas também tenho que admitir que considero que não há um propósito para a vida que não seja amar e ser amado de volta. Nunca fui capaz de o admitir a ninguém antes dele, admitir que lá no fundo sonhava com as "coisas pirosas" que vemos nos filmes de romance. No entanto ele apareceu na minha vida e fez-me ver as coisas de uma perspetiva completamente diferente, com ele eu nunca me importei o quão lamechas ou cliché soava o que lhe dizia ou o quanto ridículo podia parecer para quem estava de fora a observar-nos. Não importava se estávamos juntos à apenas umas horas ou à uns dias, sempre que um de nós deixava o outro era como se deixássemos também uma parte de nós próprios, considero isso puro amor, pelo menos da minha parte foi sempre o que lhe dei. Se ele valorizou? Não sei, não o consigo perceber. Ele é uma grande incógnita para mim, sempre o foi e sempre o será, ele tem aquele encanto próprio que por mais que eu lute contra o efeito que isso tem em mim acabo sempre por perder a batalha. Não sei realmente explicar mas isso também não é importante... Apenas gostava de conseguir responder a todas as perguntas que me atormentam dia e noite sobre este grande amor, mas infelizmente não consigo.
Há quem diga que é ridículo sofrer por amor, lutar por alguém que todos consideram que não vale a pena. Eu pessoalmente considero que o ridículo é não amar de verdade, porque amar com a alma não é apenas saber dizer um 'Amo-te', amar no seu verdadeiro sentido implica muito mais. Implica conseguirmos não ser egoístas com o outro, implica confiança, amizade, cumplicidade, capacidade de sacrifício, capacidade de perdoar o outro quando erra, bem como saber admitir o próprio erro. Amar é muito mais do que meras palavras e isso é o que falta a muita gente, saber amar no verdadeiro sentido da palavra. Há quem, infelizmente, só aprenda a amar quando já não há mais nada que reste, quando não há nada que se possa fazer para ter a pessoa de volta, chama-se a isso aprender a amar por arrependimento. Será que vale a pena aprendermos a amar assim? Não, é mais fácil e sofresse menos quando se aprende a amar na sua plenitude, quando se aprende a amar enquanto se tem algo para amar. Considero-me completamente sortuda por ter nascido com este dom que é saber amar, nunca precisei realmente de aprender a fazê-lo porque nasceu comigo e acho que é uma das minhas melhores qualidades. E, de certo modo, acho que quem sabe amar nesta dimensão da palavra possui realmente conhecimento concreto sobre algo, porque não é o quanto sabemos sobre física ou matemática ou mesmo eletrotecnia e computadores que definem quem nós somos, mas sim a nossa capacidade enquanto pessoas. A maneira como cada um de nós "vê" o verbo amar ou vê a vida, isso sim é o que nos define enquanto pessoas. Mas será que, no fim, vale a pena sabermos amar? I don't know, I'm just a freak who can't turn her head off and who is suffering because feels empty.
Por favor façam um favor a vocês próprios, aprendam a valorizar enquanto têm. Porque quando perderem pode já não haver maneira de recuperar o que tinham. Deixa as mesquinhices de parte e aproveitem a vida em condições, não façam grandes dramas só porque ele ou ela não vos respondem a uma sms, o amor vai além disso...
MC
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