quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Abulia existencial?!



« O que há em mim é sobretudo cansaço-
   Não disto nem daquilo,
   Nem sequer de tudo ou de nada:
   Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
   Cansaço.» 
                     Fernando Pessoa





    Também em mim o que resta é sobretudo cansaço, apenas cansaço mas também cansaço de tudo e cansaço de nada. Não me considero de todo um génio (nem lá perto), mas sei que sou diferente de todos os que me rodeiam, pelo menos sinto-me assim. Penso de mais, tenho essa necessidade, é me completamente impossível fazer algo e não pensar, mesmo quando ajo por impulso tenho a consciência que inconscientemente pensei nos efeitos que aquela ação poderia ter. Talvez por ser assim me sinta cansada de tudo, tudo o que me rodeia, todas as promessas quebradas, todas as palavras que me foram dirigidas que apenas foram e são isso, palavras. Sinto-me cansada de nada porque é o nada que acontece quando quero que aconteça tudo, cansada de esperar que este nada por alguma razão vire tudo mas nada acontece, logo apenas me resta esperar que o próprio nada se canse de existir.
    "Tu és diferente, amas com paixão enquanto que a maioria ama superficialmente.", de que me serve ser diferente se o que todos querem é igual? Quer eu queira quer não, não consigo mudar este diferente em mim. Talvez seja bom, talvez não apenas o tempo dirá a resposta, mas esse (tempo) é outro que teima em não passar. Espero impacientemente por ele quando ele requer paciência. Será por isso que prefere não passar?
    De uma certa forma, odeio-me por ser assim, assim diferente, assim demasiado verdadeira num mundo de pessoas irremediavelmente falsas. Quero com isto dizer que preferia ser igual a tantos outros, irremediavelmente falsa? Oh não, isso é que não! Prefiro ser assim inevitavelmente verdadeira, talvez fique só talvez não, mas de qualquer das maneiras não vejo nenhum mal em se estar só, no nosso mundo. Para mim, estar com alguém só por estar ou porque se tem medo de estar só é que é problemático.


MC

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